Sobre trocar o facebook pelo medium

Há algumas semanas começou a nova temporada de Game of Thrones, uma adaptação para a TV de uma das minhas séries de livros favoritas: A Song of Ice and Fire. Como é uma série de livros inacabada, e a versão para a TV já está em alguns pontos mais adiantada que a original, a estreia de uma nova temporada é sempre hora de evitar o twitter, o facebook e as conversas de corredor no escritório.

Mesmo alguém já tendo dito que o tédio é o sentimento dos imbecis (como ficar entediado quando há toda a literatura, todo o cinema, todos os quase 8 bilhões de pessoas no mundo?), a verdade é que, em maior ou menor grau, todo mundo fica entendiado de vez em quando. E, no meu caso, sempre que o tédio batia o reflexo era abrir o facebook, para quase sempre ficar imediatamente entediado com ele, fechá-lo e procurar outra coisa pra fazer.

Apenas duas semanas depois de ter diminuído drasticamente a quantidade e a duração das visitas ao ganha-pão de Zuckerberg (eu ainda apareço por lá pra ver notificações responder mensagens ou aceitar amigos), os benefícios já são visíveis. Julho foi o mês em que mais li e estudei. Também foi perceptível o aumento da minha produtividade e satisfação com o trabalho, coisas que acabam se retroalimentando e criando um círculo virtuoso.

Quando parei pra pensar no que me fazia continuar ativo no facebook reencontrei uma sensação que eu conhecia dos tempos de viciado no twitter: o medo de perder algo. Paradoxalmente, minhas visitas ao site sempre eram curtas porque não havia nada que eu achasse imperdível. Há sempre uma infinidade de links, textões e similares, mas poucos passam no teste quando você se pergunta se eles são indispensáveis. Uma última coisa, que talvez seja a razão maior pra eu não querer voltar pra lá por ora, é a qualidade do entrenimento que o FB proporciona (talvez fale mais sobre isso em outro texto). Será mesmo que a melhor coisa que tenho pra fazer com meu tempo é rolar uma lista interminável de fotos, reclamações (sem falar do ódio) e conteúdo água com açúcar?

E por que voltar a escrever? Porque sou um daqueles que não sabe o que pensa até que leia o que escreveu, porque quero me preparar pra no futuro poder escrever uma narrativa mais longa e porque escrever faz com que o tempo passe mais devagar.

    Bonifacio de Oliveira

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