Poesia da cabeça


Me molho com os teus beijos

sabendo que daqui a pouco

me encontrarei na jaula weberiana

seca, dura,

cartesiana.

Teu amor já teve gosto de café doce

de tarde quente, de vida cheia.

Teu amor agora cheira a ressaca,

a dor vital que embrulha o estômago

depois de uma noite boa,

plena e inesquecível.

Teu amor, tua falta

é dor de cabeça

e não tê-lo à altura das mãos.

É a intuição,

dolorosa,

de que não me levas na cabeça.

Julho 9, 2017. Campinas, Brasil.