Laços de sangue, ódio e dor.

Essa dor alada
calada
permanece em mim.
Pega-me de surpresa
sussurrando com o vento
a ausência
a canção dos rejeitados
daqueles que se esforçam
procuram o amor
e encontram cinzas,
breu
silêncio
negação
Por que fazes isso comigo?
Não seria eu um pedaço de ti?
Não teria eu vindo de dentro de ti?
Rejeitas somente a mim ou
a concepção que fazes de ti?
És carne podre da minha carne
Sangue estancado do meu sangue
Traços e perfil em semelhança
Tua vida se confunde na minha
Existo porque existes
Estou aqui porque tu também estás
Então olhes para mim
Confrontes a si mesmo
Encontre-se na sua descendência
Aceites que somos alma em sincronia nesse mundo
E que viemos como forma de suporte um do outro
Ou não aceites
Silencie-se
Mas nunca mudarás o fato
de estarmos ligados
para sempre
Se não por laços de afeto
pelos de sangue
ódio e
dor
