Lembro-me de quando eu passava horas na árvore da praça em frente à casa do meu avô. A sensação indescritível de flutuar foi facilmente alcançada lá, e só parava quando se queria parar.

A vida costumava ser tão simples. Quando criança, a ideia de ser independente e levar uma rotina atarefada em qualquer outro lugar parecia ser incrível, mas muito distante de ser alcançada. Mesmo agora, enquanto eu me sento novamente nessa árvore, deleitando-me com tudo o que tenho feito até então, parece distante. A diferença é que o desejo por isso acabou.

Árvore em frente à casa do meu avô, em Mariano Moro - RS. (2006 - 2016)

Eu gostava de subir tão alto quanto pudesse ir e se um galho tornava-se muito fino, eu mudava meu caminho. Dessa forma, as possibilidades eram — ingenuamente — infinitas.

Percebo agora que essa simplicidade não me escapou totalmente, mas manifesta-se de diferentes maneiras. Muitas vezes, eu fico caminhando sobre os galhos sem notar o quão finos eles se tornaram. Ou, encontro um galho grosso o suficiente para que eu possa simplesmente me acomodar lá.

Eu aceitei o fato de que provavelmente não vou sair dessa árvore tão cedo, então agora é apenas uma questão de descobrir para onde ela vai se ramificar. E espero encontrar tantas analogias baseadas em árvores quanto for possível ao longo do caminho.