Vou me casar. Ela disse.

Foi assim que um telefonema me fez refletir sobre meus atos.

Ela se foi e fiquei aqui. Tudo passou tão rápido que não me dei conta de que a vida estava passando a mão em mim, uma mão grande que leva tudo de uma vez; Como aquelas festas em que você bebe demais e quando recobra a consciência todos já se foram e, você ainda vai ter que limpar a bagunça.

Foi assim que recebi aquele telefonema. Vou me casar. Ela disse.

Não estávamos juntos há anos, mas isso me fez olhar ao que acontecia naquele momento em minha vida. Outra pessoa que eu gostava acabava de deixar minha casa naquele mesmo instante. Olhando ao celular percebi outras pessoas que passaram pela minha vida, hoje vivendo suas histórias enquanto eu ainda tinha de limpar toda sujeira deixada pra trás.

Melhor abrir outro whisky, talvez sem gelo dessa vez. A música que toca na playlist aleatória é daquele filme que mais gosto e que pensava em usar em meu casamento. Infame pensar isso quando os copos vazios jogados ao redor do sofá ainda perambulam pelo chão.

Qual o gosto do erro?
Sabe, sempre que me pergunto isso olho para cima, talvez em uma busca insaciável por resposta. Não que eu acredite que alguém vá descer de lá e vir me ajudar com essa bagunça toda; Talvez o cara que está pintando o andar de cima aceite uma dose, mas não sei como isso irá me ajudar.

Ver pessoas que gostamos partirem não é algo fácil. Tomar decisões não é algo fácil, mas como mais a vida deveria seguir em frente? Talvez isso me torne mais frio, mais duro e cada vez menos eu sinta alcançar meu coração. Tantas pessoas vieram e se foram que chego a pensar que apenas esse copo não será suficiente para que eu escreva minha própria história.

Fico atualizando o celular a procura de alguma boa notícia, alguma companhia ou mesmo uma distração. As vezes penso que todos ao redor fazem isso, uma fuga de uma vida que lhes é imposta e que não tão facilmente pode ser rejeitada. Acho que nada me acalmaria nesse momento, nem mesmo o barulho na janela que me tirou do transe.

Tudo bem, o cara que pintava o andar de cima aceitou aquele gole. Hora de limpar essa sujeira e planejar a próxima festa, talvez assim eu beba menos das histórias da vida e passe mais tempo em busca do que realmente quero pra mim.

Por que não tenta o mesmo?