O que levamos desse amor?

Mas nem todo resultado está em minhas decisões.

Eu estava disposto a tentar de novo. Eu poderia perder a eternidade tentando acertar as coisas. Não era uma luta de egos ou mesmo uma rejeição ferida. O que eu queria mesmo era não perder mais nenhum minuto dessa vida sem você. Sonhar acordado sobre uma realidade que nunca existiu. Imaginar algo que talvez só se realize dentro de um coração apaixonado.

E amando a quem? 
A mim?
A você?

Eu apenas queria ouvir de você tudo aquilo que seu coração desejava dizer. Tudo o que deveríamos fazer, mas algo, nessas aparências, não nos permitiu ultrapassar. Queria viver as vontades mais verdadeiras. Os sonhos mais incríveis.

O que eu queria mesmo era não perder mais nenhum minuto dessa vida sem você.

Queria apenas.
Estar com você.
Fosse esse você, um qualquer você.

Apenas você. 
Apenas a outra metade. O completo. O inteiro e único. Aquele sonho que nos faz nos jogarmos de cabeça.
De cima da pedra mais alta.

E porquê nos privamos disso?

Por outros sonhos?
Por outras pessoas?

Sempre que olho no espelho, todas as manhãs. O passado se foi. O último segundo já não é mais o meu destino. Tudo o que eu fizer está em minhas mãos.

Mas nem todo resultado está em minhas decisões.

E assim a vida se foi. Sem que saibamos o que se passou. Sem que tudo pulsasse e brilhasse aos olhos. Sem que abandonássemos tudo.
Sem que levássemos nada.

Fecho a janela para o sol não mais entrar. Sento-me a cadeira de balanço a espero da próxima refeição. Sem família de propaganda. Sem amor de Helena.

A vida se foi e eu nunca sei se estava, mesmo, disposto.


Originally published at www.oitavaarte.com on April 5, 2014.