Fade to Black - A Saga do Especialista em Nada

Pra começar eu queria deixar claro que o título do texto em inglês não é uma tentativa meio que frustada de glamorizarão utilizando elementos da língua anglo-saxônica; esse texto foi inspirado no momento em que banhava e me lembrava da música Fade to Black do Metallica (especificamente a versão ao vivo do álbum Live Sh*t: Binge & Purge). Lembro bem quando conheci essa música, eu tinha uns 14–15 anos, tava na época em que a rebeldia se expressava na forma de heavy metal (e me achava o super descolado por usar calça meio rasgada e o tênis customizado com caneta), eu me sentia o bixão.

Mas uma das características dessa época que mais me fascina era a certeza que eu tinha na vida, não havia muitas dúvidas do amanhã, não existia uma autocobrança que me esmagava impiedosamente e que revertia tudo o que eu produzia à uma grande pilha de insatisfação e arrependimento (enquanto escrevo isso devo ter apagado, editado, resmungado, apagado novamente e me sentindo incompetente diversas vezes). O ensino médio não foi um mar de rosas pra mim, nunca fui um “popular”, nunca fui o nerd, o mais esperto ou o CDF da turma; mas eu não me importava muito em não ter uma característica especifica que me identificava no meio da multidão, era só eu, o garoto que senta lá na frente da turma.

Eu era um generalista, bom em diversas coisas, mas especialista em nada.

Por um tempo a qualidade de generalista me serviria muito bem, eu era o cara intermediário, não esquecido mas também não era o primeiro a ser lembrado por/pra nada; por um determinado tempo (por mais que curto) estava tudo bem… Mas só que o mundo não escolhe os generalista, o maldito Darwin disse à um tempo atrás que uma tal de “seleção natural” escolhe os que mais se adaptam ao ambiente, esses conseguem sobreviver e se perpetuar. Pela lógica um generalista sobreviveria no ambiente pois ele “é um pau pra toda obra”, “um quebra galho” e vários outros ditados que envolvem paus e galhos… mas só que os especialistas têm uma tendência a se destacar dentre as outras pessoas, o reconhecimento por ser melhor naquilo em que ele se propõe a fazer é uma marca registrada dele, “o cara que joga futebol”, “aquele guri que é bom de matemática”, “a menina que manda bem na biologia”… enquanto os especialistas se destacam pelas suas proezas os generalistas são deixados de lado ou são lembrados quando necessário.

Bem, nesse ponto do texto eu já devo ter me perdido do raciocínio inicial (nunca fui bom com textos, minhas notas nas redações da escola e do ENEM sempre foram um fiasco), mas voltando ao ponto inicial, enquanto estava no inicio do ensino médio o fato de ser um generalista nunca me pareceu ser uma má ideia, eu tava lá, eu existia!

Mas assim como fala a letra de Fade to Black “ Things not what they used to be, missing one inside of me”, aquele garoto seguro que acabara de sair do ensino médio se torna alguém cujo as habilidades não são o suficiente para se destacar em lugar algum, e aquele sentimento de pertencimento que existia foi sufocando um pouquinho mais a cada dia, “ Emptiness is filling me
To the point of agony”,
as certezas de antes se tornaram um grande questionamento se eu era capaz, minhas habilidades de socialização se perdiam, já não sei mais o que sou, me tornei obsoleto? não tenho mais função? não sou capaz?

“No one but me can save myself”, essa é a única certeza que eu tenho, eu devo mudar, eu devo ser alguém! Não pro mundo, pra mim mesmo. Mas o que vem de dentro é a incerteza se ainda há tempo pra alguma coisa, foram muitos anos acomodado, será que mudar minha realidade ainda seja uma possibilidade? O medo, o medo do desconhecido e de sair da zona de conforto, as incertezas me paralisam… é tarde demais?!

Now I can’t think, think why I should even try.