Sobre Uma Manhã Perdida

Bruno Pinheiro
Feb 25, 2017 · 2 min read

O relógio marca cinco horas da manhã. O alarme toca. Lá fora algumas pessoas caminham. O trânsito de carros e motos (a maioria motos) já começa a borbulhar. As seis e cinquenta saio de casa e tento pegar um ônibus para universidade. Com sorte, pegarei um “vazio”, em que consiga ir sentado ao meu destino (ou no mínimo não me sentir sufocado ao longo do percurso). Chego à parada as sete. O ônibus deveria passar em dez minutos, no entanto já espero a mais de quarenta minutos. O sentimento de frustração toma conta do corpo, pois o ônibus que não passara era uma linha direta pra universidade e tomaria menos tempo, e menos dinheiro. Faltam dez minutos para as oito horas e ainda espero minha condução.

Devido a demora e a possibilidade do ônibus não passar, cogito a ideia de pegar uma outra linha, com outro trajeto, e descer no centro ou em uma das avenidas próximas para pegar um ônibus que vá diretamente para a universidade. Passado o tempo, decido embarcar nessa aventura de pegar duas conduções e não me atrasar mais ainda para a primeira aula matinal. Pouco tempo depois uma linha que vai diretamente para o centro, passando pelas avenidas mais movimentadas de Teresina, a Kennedy e a João XXIII, passa e embarco. Como já imaginava, estava lotado.

Enquanto tento me esquivar entre os passageiros e enfim chegar até a catraca para pagar minha passagem, o ônibus começa a se locomover e em poucos minutos o cenário de periferia é substituído por condomínios da zona nobre da cidade. O veículo continua lotando a cada nova parada. Em pouco tempo já estou João XXIII, onde o trânsito se torna lento. Fileiras de carros se formam. Uma obra da prefeitura mal sinalizada ajuda a piorar o fluxo. Chego ao fim da minha primeira viagem. Desço em um local em que posso pegar uma segunda condução. Aproveito para me recompor do calor insuportável provocado pela superlotação da primeira viagem. Ao consultar as horas, percebo meu atraso. Dez minutos para ser mais exato. Chegando ao ponto de ônibus percebo que há algumas pessoas que esperam pelo mesmo ônibus que eu. Me informam que o ônibus que faz linha para a universidade acabara de passar, há uns cinco minutos, e que nem chegou a parar, devido ao seu estado de lotação.

As oito e vinte um ônibus para e uma aglomeração se forma em sua porta principal. Felizmente aquele veículo não estava tão lotado. Todos couberam, no entanto, após algumas paradas o ônibus já encontrava-se com sua capacidade de passageiros esgotada. O motorista, por comoção ou por pressão da empresa na qual trabalha, ainda teimava em permitir a entrada de novos passageiros. Passaram-se seis minutos, e já estava em meu destino final. Não consultei as horas. Pouco importava. Minha manhã estava perdida dentro daquele ônibus.

Originalmente postado em: Metanoia Diária

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