Autogestão: a retomada das boas práticas

Em 1992, com a abertura da economia promovida pelo governo Collor, centenas de empresas foram à bancarrota, principalmente no setor têxtil/confecções e no setor calçadista. Foi então que surgiu a ideia, a partir do Sindicato dos Sapateiros de Franca, quando então seu presidente Jorginho Martins, começou a discutir a proposta da “empresa sem patrão”. Se a empresa não servia mais para o patrão, por que então não ficar com os trabalhadores para manter trabalho e renda?
Deu então origem aos chamados projetos de autogestão ou empresa sem patrão, com a criação da Associação Nacional das Empresas de Autogestão e Participação Acionária (Anteag), pelo economista Cido Faria. O primeiro projeto foi dos trabalhadores da Makerly calçados, que negociaram a compra da empresa, e para obter crédito ocuparam as instalações do Banespa, na região central da cidade. As negociações avançaram, e a empresa Makerly passou a ser administrada por uma associação de trabalhadores.
Hoje, o país conta com mais de 14 milhões de desempregados formais. Boa parte deste emprego não vai ser recuperado nunca mais, pois, é o chamado desemprego estrutural. Basta olhar o ABC Paulista para sentir um certo calafrio. A base dos sindicatos da região perdeu milhares de trabalhadores. É a tendência mundial. Fala-se que os processos inovativos e a robotização vão eliminar 25 milhões de postos de trabalho no Reino Unido. No Brasil, esta conta pode chegar a 50 milhões. Isso sem falar da onda de fusões e aquisições de empresas com abruptas reduções do número de trabalhadores. Com isso, muitas empresas perdem competitividade e reduzem a margem de lucro e faz com que muitos empresários abandonem seus negócios e deixem de pagar seus empregados.
O que fazer diante de tudo isso? Os trabalhadores e seus sindicatos podem tomar três atitudes:
Primeiro: tomar a fábrica e quebrar tudo, inclusive as máquinas. Se o patrão não quer manter o emprego, depois de sugar o suor e sangue dos trabalhadores, não vai também ficar com a fábrica. Isso é o que faziam os ludditas (Ned Ludd) no começo do século XIX com a mecanização do trabalho proporcionado pelo advento da Revolução Industrial. Os ludditas ficaram lembrados como “os quebradores de máquinas”.
Segundo: tomar a fábrica ou o negócio, através da força e/ou via negociações, e voltar a produzir via autogestão dos negócios, com mudanças comportamentais dos trabalhadores associados.
Terceiro: negociar parceria com o proprietário e voltar a produzir via um modelo de cogestão nos negócios empresariais.
Pois bem, escolha uma das ATITUDES acima e mão na massa.