Fora Temer e capitalismo predatório

Por Cido Faria
Ontem, peguei uma chuva danada e aguentei o tranco, participando da manifestação na Paulista. Muita gente saiu de casa para protestar, no frio e na chuva e “não receberam nada pra isso”. A faixa etária dos “protestantes”, talvez na casa dos 40 anos. Alguns anciões, como eu, que ainda não perderam as esperanças de ver um país melhor. Então, fiz uma pequena reflexão sobre a conjuntura atual.
 Para quem conhece a história econômica de diferentes países, pode observar que o capitalismo brasileiro é um dos mais predatórios do mundo. Os últimos acontecimentos com o envolvimento do sistema político-partidário e econômico-financeiro em negociações criminosas que esvaziam a democracia representativa e os cofres públicos, mostram que as aves de rapina estão na defensiva, mas prontas para dar o bote.
 Os senhores do mercado e seus porta-vozes na grande mídia, começam a abandonar o presidente que impuseram e buscam alternativas, um candidato confiável, para continuar com as reformas anti-povo. Dizem que a democracia precisa ser mantida e de que é preciso respeitar a Constituição. O recado é direto: “não querem eleições diretas, pois, seria uma ameaça às nossas pretensões”.
 Não podemos também fingir e dizer de que as reformas trabalhista e previdenciária precisam ser feitas. Mas essas reformas carecem ser validadas pelas urnas e não podem retirar direitos sociais. Outras reformas precisam também ser realizadas, como a política e a tributária, mas não por um Congresso corrupto.
 Infelizmente, pode-se observar que o chamado “campo democrático” e progressista, grita “fora Temer” e “diretas-já”, mas não discute um projeto diferente de sociedade, mais igualitária, democrática e que tribute as grandes fortunas, que retire a política de isenção fiscal a lucros e dividendos de empresas, que pune a sonegação de empresários, que cobre os débitos da previdência de bancos e empresas, que faça justiça de maneira igual contra corruptos e corruptores etc.
 Assim sendo, é urgente encontrarmos maneiras de mudar o atual estágio de consumo, produção e acumulação que só tem feito explodir as contradições na sociedade brasileira, pois, o modelo atual está em decomposição. A crise é sistêmica. Então, topa discutir isso? Alguns jovens da UFABC nos procuraram e querem debater. Aguardamos você e vamos em frente…talvez, numa nova barricada.

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