A alma e os sonhos de um babaca.

Dicken’s Dream

Já sonhei que era proprietário de um jornal chamado “O Rídiculo”. Não falarei sobre o seu editorial porque o conteúdo era ridículo.


Sonhei uma vez que era o escritor de ficção preferido de velhinhas aposentadas apiedadas. Não falarei sobre as histórias porque eram realmente deprimentes.


Cheguei um dia a sonhar que era um renomado antropólogo especialista em tribos indígenas. Só não posso lhes contar tudo o que aconteceu porque no sonho, tanto eu quanto os índios falávamos em tupi-guarani.


Certa feita sonhei que estava presenciando a condenação injusta feita pelo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição que mandou para a fogueira milhares de hereges. Não posso falar muito sobre o desenrolar dessa historia porque eu no momento estava muito preocupado com o meu fim próximo, e porque, afinal, sendo o próximo da fila, não dava sinais seguros de ser eu mesmo um santo a confessar sinceridades.


Talvez sonhar com ícones da literatura brasileira tenha sido o meu pior pesadelo. José de Alencar me perseguia com uma machadinha e eu fugia correndo, atravessando infinitas portas de lofts interconectadas, lofts que possuíam dimensões menores que as de um quarto e sala soteropolitano. Não conto o resto porque do meio para o fim José de Alencar se confundira em Joaquim Machado e tudo acabava por se perder em volúpias de aborrecimento.