Haters gonna hate

Alguns pitacos sobre ódio e sobre odiar, um texto totalmente pessoal e aberto a possíveis discussões.

Situação 1: Uma atriz participa de uma série de filmes e, anos depois, perguntada sobre ter assistido uma peça de teatro sobre este filme responde: “Não e não tenho interesse.”. No mesmo dia que é publicado em uma rede social, fãs da franquia começam a atacar a atriz.

Situação 2: Cantora Pop lança uma música e, no mesmo dia, fãs de outras cantoras Pop começam a hostilizar a primeira por não ter atingido o Top 10 da Billboard.

Situação 3: Participante (favorita de muitos) de um reality show é eliminada e, como represália, fãs da participante começam a colocar emojis de cobra no perfil do Instagram da apresentadora.

Acima, apenas três exemplos de situações ocorridas recentemente, que mostram quão raivosos e odiosos estamos. Na verdade, estes três fatos me fizeram pensar muito sobre ódio. A ideia deste texto não é ser de auto-ajuda nem nenhum sermão, mas sim um amontoado de reflexões sobre por que estamos odiando tanto.

Aliás, o que é odiar alguém ou alguma coisa? Qual o peso da palavra ódio na língua falada? Para ser mais claro, “odeio isso!”, “aff, que ódio” são expressões comuns no meu dia a dia, mas que não refletem um peso tão forte quanto o ódio das situações apresentadas no início deste texto. Nestes casos, o peso da palavra é apenas para indicar que alguma coisa saiu fora do planejado ou quando a situação te irrita de tal forma que sai a expressão ~odiar~.

Mas, se olharmos na Situação 1, por exemplo, o ataque foi direcionado a uma senhora, à pessoa dela. A minha leitura neste caso é: atacaram a senhora pois ela supostamente desprezou o filme ou a personagem (não concordo que ela tenha feito isso, mas sigamos). Na cabeça de um fã, isso é o maior absurdo possível. Passam então a odiar a pessoa que disse “tamanha barbaridade” e esse ódio passa a não ser mais uma brincadeirinha, a ponto de ofenderem a atriz (???). Ou seja, ela não tem o direito de não querer assistir a peça ou de não ser o público alvo da mesma. Ela está acorrentada para o resto da vida àquele personagem que, atualmente, nada mais representa pra ela. Por que temos que odiar quem pensa diferente? Este mesmo pensamento se encaixa para a Situação 3. Na cabeça dos “fãs” não importa que a participante tenha errado ou, até merecido ser eliminada. O errado é o outro, é quem causou essa ruptura, que não faz as vontades de quem assiste, mesmo que isso faça parte do jogo.

Por fim, só para terminar as análises das situações que propus, vemos o caso do cenário musical e, neste caso, eu não consigo entender o porquê de tanto ódio. Ódio este fabricado pela mídia, convenhamos. Que a cena musical é dominada por certos atritos, todo mundo pode imaginar mas, o que ganhamos nós, ouvintes, se a cantora A está no Top 10 ou se a mesma cantora A briga com a cantora B nos bastidores. Claro que sempre há a curiosidade de se saber estes bastidores (ou, como uma jornalista falava, o mundo pantanoso das celebridades). Mas, precisamos mesmo atacar uma cantora ou os fãs dela só porque ela é uma (suposta) rival da sua diva pop favorita? Precisamos mesmo atacar a cantora por que ela não alcançou o famigerado número 1 ~nas paradas de sucesso~?

A internet acabou trazendo à tona esta questão do ódio. Muitos comentaristas em portais de notícia usam do anonimato para distribuir ódio nos comentários, um ódio nocivo que só nos mostra como ainda temos muito que evoluir e aprender, mas tenho cada vez mais visto, principalmente em portais de cultura (leia-se cultura pop) que este ódio por vezes é escancarado, dito na cara, por vezes disfarçado por um “shade”, “pisa menos”, “é minha opinião, beijos”, ou pior, quando discordado é porque quem discorda é *acrescente aqui mais xingamentos e ataques vazios*.

Controlar esse ódio também não é tarefa tão fácil e aprender a lidar com ele e não se sentir mal quando colocado em contato com ele também tem sido bem complicado. Ainda mais em dias tenebrosos e difíceis na política e na sociedade como um todo. Se não temos um lugar leve para ver e dizer as coisas, o que pra mim é resumido, entre outros, na cultura pop, onde estaremos à salvo?

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