Almôndega

Muito, muito barulho… já é tarde e eu me pergunto o porquê disso tudo? em breve não será mais, e eu não serei quem perguntou, e a pergunta nunca existiu e a nóia também, não. Uffa! Paaaz… Sim, finalmente, hahahaha, você não quer rir também?! Venha, o choro é livre e a alegria surpreendente, vem! Nesses dias eu coloco o joelho no queixo, eu tremo. Nesses dias a minha pele cai, se derrama pelo chão e a carne tão viva. Ai! Tento me mexer, me levantar, mas… Ai! Queima! Eu quero me pegar com algo, no pé da cama, não consigo. Ai! Algo ferve, consome, algo corta tão profundamente, tão violento e eu me pergunto, quanto mais irei suportar? Mas então eu resolvo passar os dedos nas minhas costas e sinto o sangue misturado com a carne, não consigo mensurar a dor e a agonia, mas sinto algo mais, pequenas pedrinhas, um pó, tem um bocado em mim, mas só agora percebi. Peguei com os dedos esses minúsculos cristais quase por se desfazer, arrastei com carne e sangue até que minha mão alcançasse meus olhos, minha boca, olhei bem e provei. Não podia acreditar que aqueles cristais minúsculos eram na verdade sal, mas como? quando? quem? por quê? Quem descobriu que minha pele havia caído? Quem saberia a minha dor? Não sei, como vou saber? Jogaram nas costas, foi um golpe baixo, durante todo o meu caminho alguém jogou esse sal em mim e fez queimar, e fez arder a dor que existia oculta. Sem eu ver me acertaram em cheio, sem saber eu era um cordeiro, sem querer fiquei nesse braseiro de dor. Ai! Já chega! Adormeço e viro molho de mim, no chão frio minha carne ferve e se desmancha para fazer a sopa que alimenta o diabo.

Fernanda Oliveira