Domesticidade, vida pública, auto afirmação e muitos seguidores nas redes sociais: Qual a nossa motivação para defender a bandeira da Feminilidade Bíblica?

“Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada Rainha?” (Ester 4:14)

Os resultados da influência feminista têm gerado danos multilaterais. As mulheres subdividem-se, e a safra de pré-conceitos está crescendo. A nova mulher gerada está causando repulsa por seus comportamentos tipicamente masculinos, e com isso, os critérios para escolher uma parceira ficaram bem mais rigorosos.

Como num movimento de contracultura, as mulheres têm sido orientadas a não perder a feminilidade, por coerção de determinados movimentos sociais que se filiam ao feminismo. Seminários, palestras e workshops, surgem com o intuito de resgatar a figura perdida e revalorizar a maternidade, bem como o casamento.

Contudo, ainda temos alguns desafios para lidar.

Houve uma desvalorização do poder masculino. E muitos homens aderiram a essa ideia, através de seus comportamentos. Tornaram-se mórbidos e medrosos, e isso é significante para criação de um novo critério ideal de fêmea: a resfolegada e silenciosa, em palavras mais simples, aquela que vai dedicar toda sua vida, a domesticidade integral.

Os homens estão com medo das mulheres, e as que desejam constituir família precisam seguir um protótipo de personalidade. Confundiu-se a ideia de comportamentos adequados e mandato cultural, com a obrigatoriedade de uma transfiguração de individualidade. Ter fobia à mulheres com colóquio desenvolvido tem sido um fato alarmante, principalmente dentro das Igrejas. E a mulher tem abdicado de desenvolver a inteligência e as habilidades, em prol de não permanecer sozinha pelo resto da vida.

Os 500 anos da Reforma, bem respondem essa tendência: a história da Igreja, carrega em seu seio, mulheres usadas por Deus, que se dedicaram à outras coisas. O que seria da divulgação das Doutrinas Bíblicas do Protestantismo, sem os panfletos de Árgula Von Grumbach? Ela divulgou o princípio do Sola Scriptura, a liberdade acadêmica, e teceu duras críticas às heresias da época. A primeira escritora protestante, defendeu os ideais de Lutero.

Há uma aceitação em massa, por parte das moças e rapazes reformados, da ideia Piedosa de ser Mulher do Lar, que se dedica integralmente aos filhos e marido. E sim, isso é bíblico e louvável. Mas precisamos utilizar critérios, e não criar um padrão desonesto do ser mulher.

Há uma tendência crescendo no meio reformado feminino: condenar as mulheres que optam por atividades diversas as de ser mãe e esposa pelo resto da vida. Estão a ser tachadas de mundanas, bem como de adeptas do feminismo. O medo de não conseguir um casamento, ou a aceitação de uma moda, seriam os motivos?

“Sim a mulher pode estudar e se profissionalizar, mas não pode esquecer do intuito para o qual ela foi criada: o de ser auxiliadora de seu esposo e o de amar e cuidar de seus filhos” — Certo, mas o “ser auxiliadora” limita-se às quatro paredes de casa? Já parou para pensar que Deus já usou mulheres para o instituto do auxílio, na vida pública? É nessas horas, com a intenção mundana de querer likes e mais likes, que o exemplo da Juiza Débora na guerra comandada por Baraque, são silenciados. A valentia de Jael, é colocada no limbo do esquecimento. E a motivação? É o medo de ficar sozinha.

Levanta-se uma bandeira com as motivações erradas.

Quando o meu combustível de ficar em casa para cuidar da família, ultrapassa o que está nas Escrituras, sim, há um problema. Se eu decido ficar em casa e cuidar dos filhos, para ter aderência do povo, minha motivação é terrena. Se eu dedico meu desejo de ser do lar, para o feed de notícias, e não atento para os sofrimentos que mulheres como Margarida de Navarra (acolheu o Reformador João Calvino, promoveu a abolição do celibado clerical e de reformas na França — uma vez que era esposa de Henrique II de Navarra) teve de enfrentar, estou beirando uma desonestidade comportamental, bem como intelectual.

Há temas dentro da ala pública, que precisam de mulheres para defendê-los:

  1. O conceito tradicional de família: precisa de mulheres, para defender a necessidade da matricialidade familiar no Brasil;
  2. Aborto: Sim, temos homens mui capacitados para ser contra. Mas, que diremos do exemplo da Dra. Lenise Garcia (uma das especialistas mais preparadas no Brasil, do âmbito pró-vida)? Mulheres precisam falar, defender o conceito elementar de vida, afinal, foram outras mulheres que promoveram uma tentativa de mutação do mesmo, como algo psicológico.
  3. Educação: quem é a melhor figura para falar sobre educação infantil? Complementando a ideia da matricialidade, a pauta pedagógica interessa muito às mulheres — uma vez que elas são habilidosas para ensinar e civilizar as futuras gerações;
  4. Ideologia de Gênero: Quem seria a melhor pessoa para confirmar a ideia biológica elementar de que o homem e mulher são diferentes? Se tivermos, apenas homens posicionando-se na resistência, não estaríamos dando um gol contra para o time adversário?

A maternidade e o casamento, não devem ser instituições que estimulem a ignorância, muito menos a introversão. Pelo contrário, a mulher estuda em prol do bem e manutenção de tais fundações. Um não deve ser excluído em detrimento do outro. Ambos se complementam. As mulheres têm abdicado até de suas singularidades, características dadas pelo seu Criador, em nome do descontentamento de uma parcela masculina, que tem necessidade de auto-afirmação e de conhecimento a respeito de uma masculinidade legítima (temos diversos autores que falam de maneira inconteste a respeito de tal problemática, a exemplo, Douglas Wilson).

É por isso, que se faz necessário a busca pelo equilíbrio, análise e parceria. Equilíbrio para combater a ideologia feminista, através da própria vida — com a prática; Análise para não criar um único padrão pessoal de mulher — uma vez que Deus fez cada de um nós com determinadas características e gostos; Parceria entre homem e mulher, para que ambos, através da constituição de família, criação de filhos, atuação profissional no meio acadêmico e escolhas responsáveis, mudem o mundo, em busca pela organização perdida.

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