Outubro e as problemáticas de uma licencianda em Dança

Algumas perguntas, quase nenhuma resposta: um convite à reflexão.

Dia 12 — Crianças.
Um ‘boom” tomou conta das redes sociais devido à uma perfomance artística em que uma criança toca, acompanhada de sua responsável, um homem nu.
O que conhecemos sobre a arte da perfomance? O que conhecemos sobre erotização (termo muito utilizado nas redes)? O que conhecemos sobre o desenvolvimento da criança com relação à sexualidade? Sobre o que dialogamos com nossas crianças? A gente se preocupa, MESMO, com nossas crianças? Como o mundo é apresentado pra elas? (ele é apresentado?) Suscitamos aprendizado apresentando ou escondendo, dialogando ou silenciando? 
É fácil clicar no “compartilhar”, mas será que a gente se esforça pra conhecer antes de apontar opiniões? Será que a gente conhece do assunto que critica? Por que a gente tem que comentar sobre tudo que é polêmico? Se é polêmico não é mesmo porque é complexo e solicita um mínimo de cuidado, de sensibilidade e até curiosidade pra se conhecer?
Enfim, pano pra manga…

Dia 15 — Professor
Feliz dia do professor? O que é ser professor? Qual a importância do professor? Como se valoriza um professor? Qual é o trabalho do professor?
Muitos parabéns, muitas homenagens na internet…. Até o Faustão encheu a boca — como sempre — pra dar lições de moral sobre o fazer docente. Mas, na real, nós sabemos o que é o trabalho do professor? A gente respeita o trabalho do professor? Nós, professores, nos autocriticamos? O professor possui autonomia ou precisa ensinar aquilo que a escola e pais dos estudantes acham que deve ser ensinado?

Dia 31 — Reforma protestante
O que é isso? 
Talvez ainda reste um parágrafo sobre essa temática em alguns livros didáticos nas escolas. Talvez… No meu percurso escolar foi um assunto pouco tratado. 
Muito se critica a postura de alguns cristãos e não há problema nisso. Mas muito se pré-concebe a pessoa cristã, e sim, há problema nisso. Pré-conceber, pré-conceituar… Todos os cristãos que você conhece possuem a mesma confissão de fé? Creem nas mesmas coisas? São de uma mesma cultura? Atuam igualmente na sociedade?
Existe uma longa história, existem marcos importantes, registros, que podem ajudar a compreender diversos tipos de igrejas, tipos de crenças, questões teológicas que reverberam no cotidiano e que atravessam a vida de todo mundo — ou quase todo mundo. 
Quem sabe, com um pouco mais de interesse e pesquisa sobre o assunto, o diálogo entre diferentes — mas que habitam sobre o mesmo chão — não se torna sadio e, de fato, diverso?

Dia 31 — Saci Pererê
Mas, é Hallowen, Bárbara. Pode ser também! Mas e se a gente olhasse pra nossa cultura? O que a gente consome de fora? O que a gente cultiva de dentro? E o folclore brasileiro?
Engraçado como algo de fora pode ser tão bem visto e algo de dentro pode ser tão ignorado e mal-tradado.
Visando contrapor a cultura norte-americana, o Dia do Saci foi criado por meio de projeto de lei na Câmara Federal em 2013. Nesse dia, outras figuras do folclore também são recordadas.
Já paramos pra pensar como a cultura norte-americana engole a nossa? Como a gente olha pra grama do vizinho e ela parece mais verde? Mas o que caracteriza a gente? O que a gente tem que é diferente do outro, mas que não quer dizer que é pior ou melhor?

Esse texto não tem foto, não tem GIF, não tem polêmica e, apesar de ter dança no título, não tem vídeo cabuloso… As perguntas não param por aqui, ainda bem. Torço pra que o que motivou sua leitura, também aguce a curiosidade do conhecer, do conhecer antes de viralizar.