“Ser tão” humana

Eu amo as palavras, me derreto nas poesias e significo musicalmente até os momentos mais banais da minha vida.

Eu escrevo. Sempre escrevo. Registo em palavras o que meus sentidos captam do viver. Desabafo nos meus dias mais tristes e me delicio em registros nos meus dias mais alegres. Escrevo cartas pra Deus, aquele que criou tudo por intermédio do Verbo, o Logos, aPalavra. Sim, “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3), como também afirmou Abraham Kuyper:

“Não há um único centímetro quadrado, em todos os domínios de nossa existência, sobre os quais Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: “É meu!“.

E, dentro daquilo que é Dele, dos planos que são Dele, diante da sua soberania, me foi permitido contemplar, participar, de parte daquilo que Ele tem feito no sertão nordestino, mais especificamente em São José do Belmonte, cidade de Pernambuco que faz divisa com o Ceará e a Paraíba.

Foram 16 dias em comunidade com mais de 35 irmãos, vocacionados em inúmeros talentos, prestando serviços médicos, odontológicos, psicológicos, educacionais, assistenciais, evangelísticos, artísticos. Foram dias de contato com um contexto extremamente diferente do vivido por uma belo-horizontina… Convivi com esse lindo sotaque, aprendi com os sertanejos sobre hospitalidade, pude adentrar lares e falar sobre a boa nova, sobre o que Jesus fez e continua a fazer em nós e por meio de nós.

O evangelho nos chama pra servir, no anúncio da esperança que há em Cristo, e esse serviço nos convida à sair para fora de nós mesmos. Esse movimento centrífugo nos ensina a enxergar o próximo e também a ver melhor a nós mesmos.

O pecado nos tenta à orgulhar por aquilo que “fizemos”, à exigir méritos de um serviço que nunca foi nosso… Mas o Espírito afirma que “sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3), e privilegiados é o que de fato somos, por sermos parte de algo que não começou com a nossa chegada e que não vai terminar com a nossa partida.

Hoje, eu já estou na minha terra, tomei meu banho quente, comi feijão tropeiro e dormi na minha cama. Parece que voltei pra mesma rotina, só que não… Me lembro de um dos nossos devocionais em que Pr. Neto, que nos hospedou e apoiou em Belmonte, contava sobre sua conversão. Ele dizia que após se arrepender, se confessou pra sua esposa, que o questionou sobre quem ele seria dali pra frente. Após ser assaltado pela graça de Deus, sem certezas ou méritos, ele respondeu “eu não sei o que eu vou ser, mas aquilo que eu fui com certeza não serei mais”.

Apesar disso, de aspirar uma nova vida, logo me vem à mente que vai ser difícil, pois o caminho é estreito e já não tenho ao meu lado aquelas dezenas de pessoas me suportando em amor. Mas Ele, com sua graça, novamente ecoa suas palavras “o Pai vos dará outro Ajudador, a fim de que esteja para sempre convosco”(João 14:16) e “ Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” (Filipenses 2:13).

Me assustei ao lembrar que em 2018 completam 10 anos do meu batismo e como é incrível o caminhar com Cristo. Como ainda hoje, me é revelada a graça de Deus, a boa notícia do evangelho e a oportunidade de nascer outra vez, todos os dias, aprendendo a ser humana como fui criada para ser.

Ele é aquele que “antes de tudo, já existia, e, por estarem unidas com ele, todas as coisas são conservadas em ordem e harmonia” (Colossenses 1:17). E, por tudo isso que Ele é, e a partir do que Ele faz em mim é que em gratidão entrego o meu ser, integralmente, corpo, alma e espírito que “Nele vive, se move e existe” (Atos 17:28).

Venha sobre nós Teu Reino.

Estrada em São José do Belmonte. Foto: Dayane Silva
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