Sobre Osho e o documentário polêmico do Netflix:

Bárbara Lagel
Sep 3, 2018 · 3 min read

Ontem eu estava entre amigos e ouvi uma coisa que me chamou a atenção. Peguei o bonde andando, quando a conversa já estava no final, mas de fato o conteúdo inicial era;

“Osho é um canalha, e essa série ‘Wild Wild Country’ desmistificou sua santidade”.

Certa vez também, eu estava lendo no metrô ‘Sex Matters’ quando um estranho veio me perguntar;

-“Você já viu o documentário do Osho que saiu no netflix?” Eu respondi; Não.

-“Então veja porque você nunca mais vai ler um livro sequer dele”.

Agradeci a sugestão, desci na próxima estação e segui a indicação do estranho que claramente tentava me ajudar em tom alarmante. Na semana seguinte estava eu assistindo ‘Wild Wild Country’.

Enfim, não foi a primeira, nem a segunda vez que eu ouvi isso, mas sempre vindo de pessoas que não tiveram contato direto com sua obra literária.

Eu como uma leitora assídua da obra do Osho (das edições publicadas com base no pensamento e palavras do Osho), não fiquei muito perplexa com tudo que eu vi no documentário. Até porque o fato dele ter uma coleção de Rolls Royce não contradiz sua posição muito firme em relação ao capitalismo.

Osho foi o primeiro “líder espiritual” (eu particularmente entitularia o Osho como um filósofo) a dizer que você pode muito bem ser uma pessoa espiritualizada e materialista simultaneamente.

Em muitos dos seus livros ele fala mal sobre toda a construção estrutural e psíquica que as politicagens exercem sob a formação da vida em sociedade.

Em um dos livros que eu li dele, não me lembro qual agora, ele fala mais ou menos o seguinte, só que em outras palavras; “O mundo ta todo errado, não deveria existir passaporte nem governo, a gente não deveria pagar impostos, as fronteiras deviam ser abertas e todo ser humano deveria ter o direito de ir e vir quando quisesse”.

No cérebro da maioria das pessoas isso é algo incabível, pode ser que sim, ninguém é obrigado a concordar com coisa alguma, mas o fato é; Osho sempre mostrou sua personalidade apolítica, não partidária, sem religião e nem escrúpulos.

Além disso sempre se declarou contra o casamento, a favor do sexo livre, ateu e colecionador de carros de luxo. Muito embora falasse sobre meditação, paz, xamanismo, sufismo, budismo, hinduísmo, consciência, OM, yoga, terapias alternativas entre outras coisas.

E quem é fãn dele, é fãn por causa disso, é fãn porque possui a capacidade de admirar sua dualidade que por muitos é vista como contradição. O fato é que ninguém ta enganado lendo um livro de um padre que diz acreditar na bíblia mas é pedófilo.


Já toda a parte criminosa que tentam empurrar exclusivamente para a tal da Sheela, isso eu não vou nem opinar porque é especulação. Absurdo atrás de absurdo e quem sabe o Osho não sabia disso mesmo? Talvez sim, não me coloco no papel de advogada Oshiana. Não sou seguidora do Osho, de nada, nem de ninguém, e não aconselho pessoa alguma ser.

O fato é; pouco importa para o mundo hoje o que o Osho foi na sua vida privada. Encare o Osho como um quebrador de tabus, um pensador brilhante, uma ferramenta para a liberdade e auto-conhecimento e também o sucessor de Descartes na era pós moderna com base no pensamento racionalista. Esse é o legado dele! (Na minha humilde opinião).

Mesmo que os Rajneesh fizessem orgia, cometessem crimes, lavassem dinheiro, usassem drogas e não respeitassem seus vizinhos conservadores, nada disso tira o valor literário das suas obras e dos seus ensinamentos.

É muito difícil separar o belo do sensível. Isso exige uma imparcialidade extra da nossa condição emocional / humana, mas tentem!Caso contrário, deixaram de adquirir conhecimento e enxergar verdade em toda e qualquer obra feita pelo homem quando descobrirem que o autor pode ser um canalha em potencial.

Osho (imagem divulgação)

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade