Um decaf, por favor

“Quero um descafeínado, por favor.”

Da minha mesa eu sorri.

O dono do café não ficou feliz: sua expressão — de relativa calma, endureceu. Não mais parecia o dono de tão ajeitado e simpático café.

O cliente desavisado e idiota não percebeu. Todos sabíamos que ali não era o que você quer. Era o que é certo. E o certo é que café tenha cafeína. Muita.

Da minha mesa eu sorria. Tomei mais um gole do meu espresso.

“Não servimos isso. Posso lhe recomendar um chá?”

“Quer dizer que não tenho o direito de tomar o café como quero.”

“Pode sim, mas não no meu café.”

O olhar era de fúria. Preparei-me para intervir caso houvesse violência.

“Que disparate!”

Não me aguentei e ri alto, ambos olharam para mim. Éramos apenas três ali.

A indignação do cliente virou para mim. Tentei por panos quentes:

“Amigo, você não vai a um bar e pede uma cachaça sem álcool. É a mesma coisa. Ele tem uma seleção ótima de chás.”

Indignado em sua razão o cliente levantou e foi-se.

Geraldo pegou a garrafa de conhaque e dois copos americanos. Sentou à minha mesa e faltei o trabalho aquela tarde.

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