Trajetória do Desejo

Imagem: Natalie Foss

Desejo, desloco-me até lugares distantes e isolados para cumprir a minha vontade.

Movo, converso, jogo e, por momentos, tento, inclusive, conquistar Deus, fingindo para os outros que sou assim mesmo — como se Ele não estivesse me vendo, enxergando quem sou e pelo o que estou passando, como se eu não estivesse vendo ele me observar, como se tudo isso não fosse eu mesma a me observar.

Achando ridícula essa mentira, é chegada a hora de parar, parar de fingir mais um pedaço de mim, então questiono entre cada acontecimentos: como equilibrar?

Percebo que só tenho um lugar para me refugiar, igual a uma criança eu choro no colo de Deus, embutida nas minhas emoções tortas, ritmo típico dos aprendizados, fito o meu impulso em busca de mundo e não de mim.

Oposta-mente, ao centrar aqui dentro, já adoro o silencio, conforto a mim mesma dentre o mar bravejante.

Sinto a minh’alma firme como as águas que nunca souberam do que se tratava o medo de movimentar, de bravejar, de acalmar, de correr, de quebrar em ondas e de, de repente, parar. Nunca souberam, apenas eram.

E que equilíbrio é esse? O único jeito de colaborar para as coisas se assentarem é aquietar. Num instante decido fechar os olhos, ação repentina, praticamente um susto! Deixo cair o meu maxilar e adentrar o ar, despretensiosamente dou de cara com o silêncio, com o preenchimento e, sem nada fazer, tudo acontece, me edito no silêncio.

Sim, houve acolhimento e foi de mim para mim, de Deus para mim, de mim para Deus, dessa coisa toda unida e misturada para o mundo e além. É nesse vácuo de infinito espaço, onde escondem-se fontes de cores, sons e imagens inéditas, onde os segredos são revelados, onde a criatividade é plena, onde o que nem faço ideia que existe acontece.

Basta um breve contato com esse lugar, sem começo e nem fim, para não existir mais a primeira frase do primeiro parágrafo.

A criança já sumiu, não existe mais, dissolveu em meu acolhimento do avesso interior, essa magia de alta beleza, que dirige as emoções, corrige o coração e equilibra a matéria. Momento astrofísico de canalização plena do amor, escola do invisível aqui na Terra que faz o seu ser-viço mesmo dentro de 1 minuto, sem desperdício, derrotando a ilusão de Kronos e seus aliados.

Em qualquer pequeno instante o caminho é redescoberto, os ponteiros são acertados e no passe mágico da vontade o desejo se realiza. É aberto espaço de realização para a realização da realização, que é o perfeito dentro do perfeito em divisões fractais sem fim. A área de respiro é aberta, preenchida de amplitude, numa força plena e centrada aonde acontece todo o amor, aonde acontece a gente.