Romário, um milagre vascaíno e o silêncio

Foto: Renato Pizzutto

O primeiro tempo termina em 3 a 0 para o adversário, fora de casa, numa final de campeonato. É o típico resultado que desperta até no torcedor mais otimista o veredito precoce do “entrega logo a taça”.

Mas, naquele 20 de dezembro de 2000, o Vasco da Gama não se entregou. Em exatos 34 minutos, marcou quatro gols no segundo tempo — dois deles com um homem a menos, após a expulsão de Júnior Baiano — , virou o jogo em cima do Palmeiras e faturou a Copa Mercosul em pleno Parque Antarctica.

Romário, aos 34 anos, fez três.

Já faz 15 anos. E o Baixinho, hoje senador, lembra bem como tudo aconteceu:

Eles fizeram 3 a 0 em 20 minutos. Quando a gente desceu pro vestiário no intervalo, já tinha jogador do Palmeiras comemorando o título. O Joel [Santana, técnico] reuniu o pessoal, mas eu nem ouvi a conversa. Fui lá pro canto e fiquei sentado, relaxando, tomando minha Coca-Cola Zero. Eu sempre tomava um refrigerante nos intervalos. Baixei o meião e fiquei deitado de perna pro alto. Aí eles conversaram sei lá o que. Só me lembro que o Eurico [Miranda] entrou no vestiário e pediu a palavra. Mas eu também não ouvi.
Na volta pro segundo tempo, com 3 a 0, os caras [jogadores palmeirenses] começaram a desrespeitar a gente. Um caía, dava risada e falava que já tava ganho, ‘deixa pra lá’… O outro dava drible que não daria se o placar fosse outro. Eu olhei assim [ergue a cabeça para o alto] e disse: ‘E aí, Papai do Céu, vamos?’ E ele falou: ‘Vai!’. Aí eu comecei meu show. A gente ligou a turbina. Sinceramente, nossa equipe era muito melhor que a deles. Depois do Barcelona, esse Vasco de 2000 foi o melhor time em que joguei. E ainda era um puta de um grupo.
Com camisa de clube, foi o jogo mais importante e mais inesquecível da minha vida. Eles [torcedores do Palmeiras] esculacharam a gente. Como o Romário está sempre na vitrine, eles cantavam toda hora: ‘Ei, Romário, vai tomar no c…!’, ‘Romário veado!’, ‘Romário não sei o que lá’… Não me restou alternativa quando fiz o quarto gol. Foi o momento mais revoltante da história do Palmeiras. Deve ser foda, né? Você ganhando de três e os filhas [sic] da puta vão lá e viram de quatro, com um a menos. Tiveram que engolir calados. Nossa volta olímpica, no estádio deles, ficou marcada pra sempre.
Depois de marcar o gol da virada, Romário pediu silêncio no antigo Parque Antarctica
“Os torcedores do Palmeiras me mandaram praquele lugar. E essa foi a minha resposta.”
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