Não choramos mais

A gente se encontra pela Lapa como já estamos fazendo de costume. Sob e sobre as garrafas de cerveja ela me diz que não consegue mais chorar - nem eu, não por nada sério, talvez nas cenas finais de Titanic.

Ela me descreve a raiva e o ódio, os barracos já prontas só esperando a oportunidade de sair, quase ontológicos e metafísicos. Não entendo, só digo que não tenho mais paciência. Acabou o ânimo. Debate é cansativo.

O que aconteceu? A gente anda mais duas ruas incentivadas pelos preços. Beco da noite. Tiramos quantas selfies forem necessárias, nem sempre sorrindo.

Chorei da última vez quando soube a fragilidade da gente, mas não se enganem, não tem nada a ver com amor, a fragilidade da gente só me mostrava a minha; que sempre foi insuportável de ver.

Quer dizer, chorei da última vez quando soube a fragilidade física de mim, levantei rápido, sem entender só que já tinha entendido. Comecei a sangrar e a chorar logo em seguida, aí chorei. Chorei pelo túnel, pela Lagoa, por toda Copacabana. Chorei tanto que não sabia muito bem porque não tava vendo direito, quebraram-se os óculos.

Foto: Ana Paula Pellegrino

Da última vez a gente conversou sobre como em grande parte crescer — amo falar sobre amadurecimento com todos os meus vinte e três anos — é perder a inocência. Ela me diz “é melhor ser espertinha”. E como as taurinas são sábias.

Só não sei se a gente entrega tudo agora ou se só não tem mais nada pra dar.

Queria chorar pela gente, por nós duas, por um dia e uma noite. Acabo ouvindo The Smiths, fazemos o possível, o que dá.

Somos pelos menos três: http://aquiescendo.tumblr.com/post/142431291383