Pelo fim dos papos tortos

A geração da exposição, do newsfeed que não para, dos snapchats as 3h da manhã, das belissímas fotos no instagram. A geração do visualizado, do “visto em 18:54”, dos amigos em comum, dos stalkers.

A geração que fuxica mesmo e vê as fotos até 2010 num sábado de madrugada, que não tem vergonha disso, que não tem vergonha de dizer que se conheceu no tinder (amém pela falta de vergonha e pelo tinder). Mas somos também a geração dos papos tortos, dos verdes, do disse mas não disse. A gente quer se expor, ser visto, mas morre de medo de dizer que viu — e que gostou.

Quer dizer, a gente se expõe, posta as fotos, manda a indireta no twitter, compartilha o link no facebook. Mas quando a gente se envolve, ou nem tá envolvido, mas pretende se envolver, ou nem pretende, mas alguma coisa tá acontecendo a gente se esconde. De repente uma curtida significa muita coisa e o problema é esse. O significado. Qual é o significado? O significado é que você pode querer tentar se envolver com a outra pessoa.

O medo é tamanho que é de querer tentar. Não é nem de tentar, porque pra chegar no tentar, já viu.

A gente não tem a cara de botar a cara a tapa, de ser sincero, de saber que alguma coisa pode acontecer.

As bodas de ouro vão acabar nos anos 2020.

Acho que a gente tá tão desesperado com o fato de que o amor, a paixão ou qualquer coisa vão nos atropelar enquanto atravessamos na faixa que a gente esquece que pode ser uma escolha também. Podemos escolher que sinceridade é de bom tom.

A gente pode escolher e falar o que a gente acha, e que talvez a gente vá quebrar a cara mesmo, e aí? Qual é o pior que pode acontecer? Pensando realmente praticamente aqui; o que é a pior coisa que pode acontecer? Você realmente se apaixonar? Porque veja bem, isso pode acontecer de qualquer forma.

Agora, eu queria que a gente pudesse fazer as coisas de forma mais limpa, mais clara, mais simples. Por um mundo com menos papos tortos.