Uma ode a prática feminista

Quem sou eu na fila do pão pra ficar convencendo essas mulheres maravilhosas de que elas são realmente maravilhosas? Porque elas precisam de convencimento? Porque a gente tem que ser maravilhosa o tempo todo? Porque eu preciso ser convencida o tempo todo?

A Taís pergunta se deve antes de chamar o mino pra sair, a Rebecca não gosta de mudanças, a Gabi as vezes vem parar na minha cama no meio da noite, Ana Paula pede preu segurar a mão dela. Eu não mando nem um whatsapp - quem dirá publicar um texto - antes de mostrar pra pelo menos uma delas, se não todas.

Eu e Greiner temos literalmente uma coisa que se chama “motivacional do dia” onde mandamos besteirinhas uma pra outra por inbox pra dar aquela alegrada/descontraída/rir dos nosso problemas.

Quando eu entrei pra Capitolina eu achei que estava entrando pra um projeto irado, escrever pra adolescentes com um viés feminista? Foda. O que eu não sabia, e nem tinha como, foi que eu nunca tinha tido nenhuma prática feminista que não fosse individual. Tudo bem, eu enchia a paciência dos meus amigos pra serem politicamente corretos, não fazerem piadas machistas, eu me policiava também, mas era isso.

O que me faltava mesmo era a sororidade, que eu aprendi dentro da Capitolina e agora estendo pras minhas amigas de fora.

Eu não fazia a menor ideia da força que outras mulheres podiam ter na minha vida e nem sei como sobrevivi os 20 primeiros anos da minha existência sem saber. Nunca vi tanta mulher inteligente, engraçada, espirituosa, bonita, maravilhosa junta. E o mais importante, solidárias, como essas meninas conseguem se importar comigo, mesmo algumas nunca tendo me visto. A potência que é ver que eu não to sozinha, que meus dramas fazem sentido, que meus sentimentos importam, que minhas inseguranças não são só minhas. Não consigo não pensar o quão é incrível — e terrível — que esse sentimento de angústia e solidão seja tão universal. Que mundo duro e cruel que acaba com nossa autoestima. Não somos bonitas o suficiente, descoladas o suficiente, inteligentes o suficiente (o suficiente né, porque mulher inteligente demais também não pode). Um esforço hercúleo e infindável de agradar, de ser agradável.

A Amanda Palmer chama de Patrulha da Fraude. O tempo todo fico esperando alguém dizer que não devia, que eu não sei, que foi tudo um grande erro. Trocaram minha prova, reavaliaram minha entrevista, releram meu currículo e agora a verdade vem à tona: beijinho, Brena, não era pra você estar aqui.

A única coisa que me faz duvidar da Patrulha da Fraude é saber que essas minas sentem a mesma coisa. Queria que elas pudessem se ver com meus olhos só um minutinho. A outra lição da Palmer é a A Arte de Pedir. Pedir um pouco de ajuda. Dar, receber e retribuir. Disso essas meninas entendem.

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