A sala

— Estou morrendo.

— Por que você diz isso?

— Porque é a verdade.

— Não pode ser.

— Mas é.

— Não é… não pode.

— É sim, mas você não acredita. Eu sinto que te amo tanto… um amor tão insuportável que me mata. Estou morrendo.

— Eu só posso rir disso. Só posso rir.

— Teu riso revira minhas tripas.

— Você fala cada coisa…

— Eu queria ser poeta para te fazer entender essa obliteração que também é gênese. O amor é catabólise.

— Do que você tá falando? Cara, eu só posso rir.

— Também acho patético. Até riria, se a piada não fosse eu.

— Olha, não quero ser rude, só não acredito em nada disso.

— Meu amor não é uma farsa. A vida sim é uma farsante que me ilude dia após dia com a contingência de bonança.

— Essa fala pomposa não vai me convencer. Cara, você viaja.

— Pudera eu viajar por teus pensamentos cândidos e descansar de longas jornadas em teu seio.

— Olha aí, já tá falando de seios. Eu sabia….

— De modo algum faltaria com o respeito. Você me interpretou de forma equivocada.

— Tá me chamando de burra?

— Não, minha amada. De meus lábios só saem odes à tamanha formosura e encanto.

— Tá certo. Vou lavar a louça. Tchau.

— Até mais. Meu coração palpita ansioso por nosso reencontro. Boa tarde. Beijos doces.

— Falou.

Isolda100Tristão se desconectou da sala.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.