Aula 5

Em Rossetti-Ferreira et al. se fala sobre a metáfora do sistema de rede, esse é o modo pelo qual o desenvolvimento é caracterizado, ele está bastante atrelado ao significado de que diversos elementos estão ligados aos indivíduos de um contexto específico. Em outras palavras, o ser humano está ligado em uma rede que busca significar a si e aos outros, essa é conhecida como: Rede de Significações. A busca por entendimento do modo como os processos de desenvolvimento dessa rede ocorrem é bastante complexa, se procura entender quais e como os elementos (interacionais-pessoais-contextuais) participam desse procedimento.

Existem os campos interativos dialógicos, que são lugares de destaque, concebidos como centrais ao e fundantes ao processo de desenvolvimento, esses locais existem desde a concepção, já que a vida do bebê só depende da sua relação com o outro social. Essa relação é envolta de um fluxo de comportamentos delimitados, recortados e interpretados pelos outros e por si próprio dentro de papéis ou posições em contextos específicos. Ao agirem as pessoas dialogicamente modificam seus parceiros de interação e são por eles transformadas, remodelando seus propósitos e abrindo novas possibilidades.

Além dos campos interativos existem os contextos, as pessoas, a matriz sócio-histórica, as dimensões temporais, que vão influenciar no processo da rede. Por exemplo, o ser humano só se constrói na relação com o outro e com o mundo no qual está inserido. Esse outro se constitui e se define por mim e pelo outro, ao mesmo tempo, que o eu se define com e pelo outro. É nesse interjogo que se formam as identidades pessoais e grupais. Esse processo também vai ocorrer por conta da linguagem, essa vai ser uma das responsáveis por garantir uma heterogeneidade nos indivíduos, afinal esses são múltiplos, pois interagem com outros múltiplos e heterogêneos. É importante falar também do processo de se sentir único no mundo, fruto de um processo de construção cultural, onde exige permanência e individualização, que são sustentadas através da linguagem e de documentos institucionais.

Igualmente nessa aula tivemos a presença de Laerte, que veio discutir sobre o sistema penitenciário feminino, trouxe um vídeo chamado: “Mulheres atrás das grades”, o qual mostrava a entrada de uma repórter no presídio e sua relação com as presidiárias e dessas com as outras, além das funcionárias. Foi uma intensa reflexão sobre a superlotação do espaço, a qualidade de vida precária, o uso de drogas e celular abusivo no interior das celas, o comércio interno. A dor das mães que têm que se desvincular dos filhos após seis meses de nascidos ali dentro. Então foi uma tremenda reflexão dos aspectos influenciadores da vida dessas mulheres, do envelhecimento delas ali dentro, em uma realidade totalmente paralela ao que elas tinham — inclusive, a garantia da vida de algumas foi entrar na prisão, caso não, já estariam mortas por crimes, uso de drogas, entre outros. Isso remete muito a importância do psicólogo, esse deve estar onde o problema está, então ele deve atuar além da clínica, do consultório, deve estar na rua, no presídio, cabe ao profissional, também, ir atrás dessas pessoas, lutar pelos direitos humanos, ir atrás de centros, como o CAPS, que forneçam esse trabalho. As pessoas que saem após anos de uma cadeia têm que saber lidar com o estigma social, por exemplo, a dificuldade de uma ex presidiária arrumar emprego, a grande maioria dos empregadores não desejam contratar a mesma para trabalhar em seu estabelecimento ou em sua residência, então, em alguns casos, acabam por voltar a cometer crimes — o tráfico de drogas, pouco trabalho e bem remunerado. Outro problema comum é o fato de não existir mais um vínculo com a família após sair da prisão, muitos rompem essa relação com pais, filhos, irmãos. São simplesmente jogados na rua, literalmente, e acabam, por muitas vezes, ter um estranhamento do lado de fora, já estavam acostumados com a vida que possuíam ali dentro.