Bel Pesce e o empreendedorismo de palco: porque a Menina do Vale não vale tanto assim
Izzy Nobre
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Me senti como a pessoa que descobriu que papai Noel não existe, mas, no entanto, não vamos fazer a linha “ o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, porque a Bel pode ter pisado na bola, mas também temos que convir que com isso aparece muita gente oportunista, para querer se destacar ou fazer o nome em cima do “fracasso” alheio.

Entendi que o texto foi feito por um cara que se acha o analista científico da parada, o cara pé no chão que, em meio à tantos assuntos a respeito de empreendedorismo, que diga-se de passagem falam sobre arriscar, ou seja, tomar decisões sem ter todo o respaldo técnico necessário, se apresenta como sendo o santo graau da tomada de decisão, pura e simplesmente por ter aprendido análise científica em uma universidade federal. 
Até aí tudo bem, sabemos que a ciência tá aí pra desmistificar, trazer uma análise mais profunda, livre de falácias, do que realmente acontece no mundo. Acontece que ele questiona o fato da Bel Pesce ter sido ou não fundadora da Lemon, e como base dos seus argumentos (de acordo com eles, seguindo o método científico), usa o link de uma matéria em que a atuação de Bel Pesce na Startup é citada no último parágrafo.

Vou reduzir o trabalho de vocês: 
“Lemon’s Valley Girl Bel Pesce, a name to follow
According to Casares, Lemon currently has a staff of 21 — including someone he describes as a great addition to the team, the young Brazilian MIT drop-out Bel Pesce, who handles business development for the startup. Since we first wrote about her life a few months ago and her unusual decision to drop Google and MIT to join Lemon, Pesce has become a role model in her home country.”

O autor do texto que faz a crítica a Bel Pesce usa este parágrafo para citar que Bel Pesce não foi fundadora da empresa, e também que abriu mão do MIT. 
No texto não diz que ela não foi fundadora da startup, e tampouco que o “drop MIT” se refere a ela não ter se formado, sendo que possivelmente, a matéria se refere ao fato dela não ter seguidos os estudos na pós-graduação, algo que nos Estados Unidos, geralmente é pré-requisito mínimo para entrar em grandes empresas ou ser aceita em grandes laboratórios.

O autor também leva uma vida inteira para tentar desqualificar a formação de Bel Pesce ao tentar explicar para o leitor a diferença entre minor e major. Não é culpa da Bel Pesce se o sistema brasileiro é diferente, e se quando você fala que é formado em 4 áreas distintas, venha à mente do Brasileiro aquela velha e maçante graduação que costumamos fazer no Brasil, em 4 anos, sem direito à ter o mínimo de interdisciplinaridade na sua grade.

Alguns outros pontos que o autor citou não vou nem me preocupar em pesquisar, pois só estes jpa me bastaram. Me parece que ele usou muitos argumentos, forneceu endereço de links para embasar e tá ganhando muita visibilidade por isso. Por outro lado, se ele acusa a Bel Pesce de desinformação, ou o desminto dizendo que não é ela que transmite a informação errada, mas sim o brasileiro que tem expectativas erradas e é mal informado sobre como funcionam as coisas lá fora (é só ver o exemplo de tentarem desmerecer o estágio de 3 meses dela em grandes empresas, só porque no Brasil estamos acostumados a estagiar e a trabalhar ao longo de todo o ano. Poucas pessoas sabem que o período de estágio lá fora se faz durante o verão). Quem mente e desinforma pra mim, neste caso, é o autor, que resolve se mostrar o jornalista investigativo, mas no entanto, desde o primeiro parágrafo já passa por cima de toda ética a se esperar de um profissional do ramo.

Bel Pesce vacilou? Sim, vacilou. Mas isso não significa que ela seja charlatã como muitos estão tentando fazer parecer. Vai saber o que tem por trás do coração de quem se dispõe a isso.

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