A respeito dos padrões afetivo-sexuais que estabelecemos ao longo da vida

Calma. Esse não é mais um textão problematizador que vai questionar as construções sociais entranhadas no seu ser ou perguntar com quantas pessoas de quais minorias você já se relacionou. Deixa eu explicar com um exemplo próprio:
Eu tinha 16 anos, por aí. Eram tempos de vinho Chapinha a R$6,00 na praça de Ribeirão das Neves — cidade metropolitana de Belo Horizonte — com amigas maravilhosas e conhecidos nem tanto. E aí tinha esse moço skatista do cabelo alisado que, out of nowhere, surgiu com uma juba cacheada maravilhosa: misterioso, barba espessa, cara de poucos amigos, sobrancelha MARAVILHOSA (deixo explícita aqui a minha queda de dez andares por sobrancelhas bem diagramadas), super cult, altos Bach, sinfonia de num-sei-o-quê, elitismo cultural absurdo (que pra mim, na época, era só detalhe). Tirava onda com o violão na mesma proporção em que era foda nas manobras do esporte preferido, dentre outros atributos.
Eu ia ao parque da cidade quase todos os dias pra ver esse rapagote. Ficava lá o admirando de longe ao som de Los Hermanos (sim!), planejando uma história que só aconteceria na minha mente onde namoraríamos (sim!), eu compreenderia suas necessidades e seria o tipo de companheira ideal: “parça”, “braço”, “bróder”, diferenciada — hoje em dia eu realizo que esses homens mal resolvidos, todos, precisam é de terapia das pesadas, porque o que tem de mulher maravilhosa se fodendo psicologicamente pra cuidar desses bebês imaturos não é pouco.
Long story short: dei meus pulos muito mal pulados, conversamos pelo MSN e acabamos por ficar.
(Aqui vale a menção da situação: ele achou legal, num dia de chuvisco intenso, onde a minha progressiva estava há dois meses sem retoque, me levar pra uma espécie de barracão sem iluminação nenhuma. Pensa na situação que eu, pessoa que sua só por respirar, ansiosa pra cacete, tentando tapar o chuvisco com a blusa, a chapinha indo pelo ralo, se encontrava. Mas tranquilo, né? Bóra lá. Altos beijos, algumas chupadas e nada de penetração porque não tínhamos camisinha [eduquem vossas crianças!] e beleza)
A vida seguiu. Mas seguiu assim, né? Comigo desejando profundamente ser a iluminação naquele poço de escuridão que ele era até meus 17 anos, mais ou menos. Essa síndrome de salvadora eu já superei, pra deixar claro. Meu ponto com isso tudo aqui é: foi só uma sarrada? Obviamente. Só que de lá pra cá eu me pego interessando pra além do sexual, aquele interesse genuíno mesmo, sabe?, por pessoas que aparentam não estar na mesma sintonia que eu — e eu entendo que isso é perfeitamente okay porque elas possuem o direito inato de darem moral somente pra quem querem. O caso é que esse padrão vem se repetindo: eu quero, a pessoa geralmente não. E incomoda, né? Porque porras eu não sinto essa vontade de trocar algo mais que fluidos corporais com gente que quer o mesmo comigo (for the record, ZERO)?
Isto posto, essa ladainha toda desembolada, me contem: como funciona por aí? Vocês também se encontram com estoque infinito de papel de otária pra limpar a bunda até 2020? Pra quem conseguiu mudar essa situação, reverter o 7x1 que a vida te meteu, aprendeu a não cair nas ciladas e perfect illusions que a cultura romântica apronta, como isso se deu? Tem a ver com auto-estima? Seria eu a necessitada de terapia? Ou esse padrão é na verdade “diboua suave só uma fase e em breve surge alguém no mesmo pique e bêjo vamo dançá”? Deixa seu relato aí pra mim.