O “suici-nato” do Mestre

Sabe aquele vilão que todo mundo usa, digo, todo mundo ama? Digamos que o Mestre (agora R.I.P Missy) é um caso desses, ao menos para os whovians (fãs do seriado que beira os 55 anos produzido pela BBC).

Para quem não conhece o tal Mestre, vale conhecer o podcast do pessoal do Doctor Who Brasil que fez um “dossiê”. Partindo do ponto que você já conhece o melhor ini-amigo do Doctor e está esperando spoilers, pode esquecer, vamos ao caso de hoje.

A temporada que está “finalizada” enquanto escrevo, encerra a trajetória do tio Steven Moffat como showrunner, – uma mescla de diretor e produtor, pra quem não é inserido nesse tipo de “droga” -, além de também ser o fim da 12ª regeneração do Doctor, formalmente Peter Capaldi (Capaldão, para os íntimos), que será substituído pela Jodie Whittaker; e da mais controversa time-lady da história (deixando Rani bem enterrada, aonde esteja): Missy.

Amada por muitos, ~amada~ odiada por outros, Missy foi a encarnação XYZ do Mestre. Essa foi a mais próxima vez que o personagem este ao ponto de se redimir, literalmente foi quase uma redenção após tanta maldade praticada.

Não bastasse criar vários exércitos de Cybermens na tentativa de se conciliar com o (melhor) amigo de infância, a Missy é aquele arquétipo de velho amigo que passa anos fora e tenta voltar a amizade te trazendo o que você gostava, seja doces, sushi, ou o controle de tudo, coisa que o Doctor sempre demonstra ter, por mais que muitas vezes se descontrole (vide o caso Clara, na 9ª temporada e tantos outros).

Bem, mas, para quê uma introdução tão grande ao personagem? Simples: a redenção só vem com sacrifício. Nesse caso, o sacrifício foi a própria vida, num verdadeiro paradoxo, digno de All You Zombies (1959), livro de Robert A. Heinlein que deu origem ao filme O Predestinado (2014). A megalomania do Mestre “anterior” chegou ao ponto de preferir morrer pelas próprias mãos, do que se juntar ao seu ex-amigo bonzinho.

Chegamos ao ponto, depois de um rodeio digno de Barretos. Nos últimos meses temos visto uma onda de suicídios enorme, alavancada por pessoas sem escrúpulos em redes sociais, e por um problema que assola a população mundial contemporânea: a depressão. A própria Missy mostrava tais sinais, muitas vezes vistos como lágrimas de crocodilo, ao tentar mostrar arrependimento e uma certa compaixão.

Essa doença psicossomática têm abalado a vida de famílias e destruído muitos lares. Sejam jovens que não aguentam sua carga diária (13 Reasons Why), sejam adultos com carga horária de trabalho exaustivo (suicídios em países com alto IDH), sejam mães que se vem num abismo ao ver uma vida nascendo (depressão pós-parto).

Todos os dias a vida de muitos está sendo ceifada por negligência dos próximos, sejam pais, amigos, líderes (espirituais/profissionais).

Chegamos ao ponto em que novamente se tem a discussão se o suicídio é ou não um pecado. Igrejas se digladiando tentando se pautar em versões distorcidas de o que é estar com Deus. Julgamentos sobre o que é ou não uma vida saudável e uma comunhão real. Alguns dizem: “se a pessoa se matou, não conhecia a Cristo!”. Mas, é tão simples assim?

Fomos avisados que nos últimos dias muitos seriam enganados por falsos profetas, como recentemente ocorreu com uma seita estado-unidense que acreditou piamente no seu líder que para se salvar deveriam se matar na passagem de um cometa (conheça mais sobre o Massacre de Jonestown pesquisando sobre quem foi Jim Jones e ouvindo um resumo produzido pelo Averiguei o Mistério).

Fomos ainda orientados de que teríamos aflições e que teríamos um “ajudador”, que levaria nosso fardo conosco. Sim, levaria em conjunto, ele aliviaria o peso, mas, o mesmo não deixaria de existir. Inclusive esse é um argumento dos que defendem o suicídio de “cristãos” como sinal de que o mesmo não tinham a comunhão necessária e o conhecimento de Cristo.

Como cristão, creio que a nossa redenção veio há 2 mil anos, por meio da morte na cruz, que trouxe vida e uma nova aliança por meio da Graça que foi derramada sobre a humanidade. Sabemos que sem ela não seríamos nada, apenas o pó que sempre fomos. Mas, ela não é a única, e nem deve ser tida como. Só Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida, e, por Ele podemos alcançar a real redenção.

Missy, infelizmente não teve essa oportunidade, e muitas “Misses” estão por aí, esperando que você mostre a verdade para elas, por meio do seu discipulado com Cristo. Refletindo a imagem dEle, as Suas atitudes de amor, os Seus gestos e o Seu real sacrifício. Na ficção o melhor amigo dela nunca saberá que no último momento ela quis voltar atrás e se redimir, entretanto, hoje, você pode estar no lugar dela ou conhecer alguém que esteja.

E o mais importante: é a sua vez de amar, ajudar, mostrar a verdade por meio de Cristo. Não deixe que os “suici-natos” continuem acontecendo por aí. Ao deixar alguém suicidar-se você deixa que ela mate outros que viriam a existir pela vida dela, e não me refiro somente aos filhos e descendentes, mas, sim, aos que poderiam ser levantados por meio da vida dela.

PS.:suici-nato” é um neologismo das palavras suicídio e assassinato, dado o fato que o Mestre matou a Missy, que é sua encarnação, e após ocorre vice-versa, onde ela acaba por matá-lo.