Solar

Naquele 19 de dezembro pouco se passava pela minha cabeça. Suas mãos trêmulas, seu tom de voz baixo. A conversa fiada, a timidez imediata. Sua beleza estonteante e os olhos que via o fundo de sua alma.

Naquele 19 de dezembro muito começou a passar pela minha cabeça. Seus braços envolviam meus ombros, os meus sua cintura. A mão já não mais trêmula que ia de encontro a minha. A timidez que ainda existia.

Naquele 19 de dezembro cada parte do meu corpo ansiava para se juntar ao seu. A incerteza ainda corria. A dúvida existia. Meu Deus, você era tudo o que eu queria.
Chegava 19 de janeiro e sobre tudo eu sabia. De suas fraquezas, fiz delas minhas. Suas agonias, já não existiam. A dor era só aquela que eu escondia. Em insinuações vivíamos. Do prazer queria viver e já não mais queria morrer.

Quem diria! Até 19 de fevereiro nos viveríamos. Só que de mais nada eu sabia. Minha fraqueza havia ganhado vida. Você era salvação e dia, mas durante a noite sempre me assustaria. Ainda assim te queria. Sol, solar e caloroso. Te dei espaço porquê assim não me esqueceria.

Chega 19 de março e de mim você esqueceria. Com nada me deixaria. Do vazio eu faria companhia.

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