Ilustração de meu juízo

O chão se abriu, rachaduras feito cicatrizes foram criadas pelo demônio da percepção, olho pra baixo, vertigem, sinto o afago da inquietação em meu peito, respiração em marcha lenta para garantir que a velocidade não se acelerasse, me seguro no ar que respiro buscando equilíbrio, sozinho na escuridão dessa catástrofe acreditava que poderia contar com um farol como guia, pude ver a luz sim porém ela me guiou para o sítio da ilusão, onde pude vivenciar os aromas desse lugar cheio de flores, mas hoje, o chão se abriu.

Ao perseguir o brilho me perdi e quando percebi já me encontrava na condição de refém, anestesiado e incapaz de lutar passei a deglutir todo santo dia mais e mais daquele doce veneno que era o responsável por meu estado de excitação, uma gota de cada vez até me tornar viciado nesta poção. Quanto mais a procurava mais me tornava dependente, não sei por qual razão comecei a ser privado da minha fonte de gozo, desenvolvo afeto por meu carcereiro e em minha prisão sou açoitado a cada noite em que durmo inerte ao seu lado. Tortura chinesa é uma doce alegria comparada ao que sofria ao assistir minha condição deplorável naquele lugar, me obrigava a trabalhar na esperança de conseguir ao menos um trago dessa substancia entorpecente.

Dia após dia os efeitos da ausência do veneno proporcionavam em meu corpo fortes dores e em minha alma devaneios. Vultos de tempos passados começaram a surgir em mim e meu sono passou a não existir, começo a ver alucinações, começo a me perguntar o motivo dessa situação, por que me fiz preso a tamanha ilusão?

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