Quem disse que a juventude está perdida é porque nunca visitou uma escola ocupada.

Nos últimos dias, muito pela proximidade do ENEM, tenho visto uma enxurrada de opiniões e principalmente de críticas (ataques) aos movimentos de ocupações de escolas no Brasil. Mas será que você tem sido justo ao comentar ??

No momento, como forma de protesto e resistência, mais de mil escolas no país estão ocupadas por estudantes secundaristas de todas as regiões.

A pauta ?

Contra os ataques à educação, que são institucionalizados na forma da PEC 241 (PEC 55, agora no Senado) e da MP 746 (reforma do Ensino Médio).

Em linhas gerais…

A PEC 241 é uma Proposta de Emenda à Constituição que limita (congela) as despesas da União, com gastos primários, durante 20 anos, entre esses gastos estão os investimentos na educação. Não precisa nem falar o quanto ela fode a vida dos estudantes, né ?!

Já a MP 746 é uma medida provisória, (apresentar uma MP é um instrumento usado para acelerar a tramitação do projeto no Congresso Nacional. Ou seja, evitar o diálogo com toda a sociedade civil organizada que debate o tema há anos.) que promove mudanças estruturais no Ensino Médio. Todos nós concordamos que o sistema de ensino brasileiro deveria passar por mudanças… Por uma educação emancipadora, menos tecnicista e que forme verdadeiros agentes transformadores da sociedade. Pois bem, a MP 76 é exatamente o CONTRÁRIO disso: retira disciplinas críticas e de formação cidadã e ainda precariza a atividade do professor. Uma verdadeira catástrofe.

Nesse contexto, de ocupações de escolas e desmonte da educação pública, o vândalo é o governo!

Mas o que tenho visto, nas redes e no cotidiano, são expressões (muitas vezes de ódio) contra os estudantes das ocupações. Taxados de vagabundos, baderneiros e qualquer outro adjetivo ligado a desordem.

Um show de senso comum sem qualquer conhecimento da realidade julgada.

Nas escolas ocupadas, os jovens criaram uma rotina de atividades. Que vai de restauração e limpeza do patrimônio a roda de debates e exibições de filmes.

E como nos ensinou a jovem Ana Julia (de 16 anos), que viralizou ao defender as ocupações, em discurso na Comissão de Direitos Humanos, frente aos antiquados políticos de nosso Senado:

“O movimento estudantil nos trouxe um conhecimento muito maior de política e cidadania do que todo o tempo que estivemos sentados enfileirados nas aulas padrão”

Então de onde vem essa onda de criminalização das ocupações ? Vem de uma sociedade que crê e julga pelas lentes da televisão. Durante toda essa Primavera Secundarista o que se viu foi uma mídia que não deu uma linha para as pautas dos alunos, mas que deu uma enxurrada de flashes na hora de colocar a culpa do adiamento de algumas provas do ENEM na conta do movimento e não na de um governo que não dialoga.

Antes de julgar precipitadamente ou até mesmo agredir verbalmente o jovem que está na ocupação, pense que ele pode estar assegurando o direito a educação dos seus filhos no futuro. Ou simplesmente se coloque no lugar dele e entenda contra o que ele está lutando, um pouco de empatia não faz mal a ninguém…

Eu termino esse texto com a mesma frase com que comecei: quem disse que a juventude está perdida é porque nunca visitou uma escola ocupada.