Ótimo texto! Bem escrito e gostoso de ler.
Régis Frias
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Pois bem Régis Frias, esse assunto “compartimentalização” da sociedade foi justamente o que me motivou escrever. Pensei em até falar de outras áreas da sociedade, mas acabei tomando esse viés por alguns motivos:

  1. Fiquei doente agora, com caxumba, e senti na pele o quão atrasada está a medicina. E vivenciei isso em hospitais chamados de “primeira linha”. “Ah, é um vírus, melhor falar com um infectologista”, “a doença desceu, melhor falar com um urologista”, tudo isso regado a exames inúteis (o resultado de um dos exames era: “está inflamado”. Jura? Por que a dor que estou sentindo e o inchaço visível não são suficientes para ter essa constatação? Precisa mesmo fazer um ultrassom parr saber o óbvio?). Então, isso tudo me fez querer escrever especificamente sobre medicina.
  2. Agora, no meu ponto de vista, para tirar a visão compartimentada, precisa-se ter uma visão sistêmica. Uma pessoa sozinha não consegue isso. A melhor maneira de se ter essa análise é por meio de dados. Muitos dados (biga data). E, novamente, humanos não conseguem sozinhos extrair tanta informação. 
    Não estou aqui falando que robôs são suficientemente inteligentes agora. Estou falando que existem algoritmos hoje que já conseguem substituir muitas pessoas com grande precisão. Veja a Cloud Vision API, por exemplo. Uma API que oferece o poder de reconhecimento de imagens para qualquer desenvolvedor. Eu busco no Google Photos “fotos que tirei em Campo Grande com as pessoas x e y” e ele traz o resultado correto. Quantas pessoas precisariam no mundo para ficar categorizando imagens particulares de cada um? Esse é o ponto que trago para a medicina.
    Se existe o Deep Learning que oferece subsídio para o entendimento de doenças, correlação com outros casos, acho que temos que começar a usar sim. Não precisa ser inteligente e não precisa ser perfeito. É só ser melhor que um ser humano, o que não é difícil (”tive um dia ruim hoje, não estou atento”, “estou com ressaca”, “não olhei com cautela”, e por aí vão as desculpas que pessoas podem dar para um erro que afeta a vida de outra pessoa). 
    Se eu tivesse feito um exame completo do corpo e um computador tivesse analisado todos os índices, comparado-os com pessoas do mundo todo, ponderado com casos parecidos e gerado um prognóstico para um médico avaliar, o processo poderia ter sido muito mais rápido, fácil e indolor para mim…. Então, isso me fez querer escrever sobre tecnologia também.
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