Quando tive que Olhar Pra Dentro
Aos 25 anos de idade… 6 anos de trabalho duro, mudança de cidade…

Apartamento dos sonhos
Carro dos sonhos
Emprego dos sonhos
Salário dos sonhos
Carreira dos sonhos
Finalmente consegui e… nada fazia sentido. Sentia um vazio que não sabia explicar direito o que era. Imaginei que este vazio vinha do fato de ser mão de vaca e não aproveitar o que o dinheiro poderia proporcionar (risos).
Eu morava num apartamento sem móveis, dividindo com 2 pessoas, não tinha carro, não aproveitava a cidade…
Foi quando decidi abrir mão de poupar quase 60% do meu salário para que pudesse ter uma vida com mais conforto. Imaginei que isso preencheria meu vazio. Mudei para um apartamento excelente, com uma varanda gigantesca, do jeito que eu imaginava que me faria feliz.


Comprei o carro dos sonhos, modelo sedã, alemão, cor branca, o modelo que eu parava pra admirar quando via algum na rua.
Apesar da pouca idade, no meu ramo de atuação, consegui construir alguma reputação depois de alguns anos de trabalho duro. A carreira estava muito bem, obrigado.
Aguardava o sofá do apartamento chegar na tarde de um dia qualquer. Era o último item pendente deste pacote de sonhos de um jovem que sempre quis crescer na vida, e que trabalhou muito por isso.
O sofá chegou.
Comecei a chorar.
E não foi de alegria.
Dei uma reviravolta na vida, comprei tudo aquilo que me faltava, e ainda não estava feliz. De alguma maneira tudo isso não fazia sentido. E pra piorar, eu me julgava por achar que não faz sentido não ver sentido nestas conquistas, afinal, a vida não é isso? Ter essas coisas, crescer e ser feliz.
O vazio permaneceu, agora, rodeado de coisas legais.
Foi a primeira vez, em 25 anos, que não achei um clichê barato todo esse papo de "olhar pra dentro", autoconhecimento, e afins.
De fato tinha chegado a hora de olhar pra dentro.
Ainda bem!
Aqui começou a minha jornada, meados de Agosto de 2018.

