Não discutimos para resolver


Quando alguém toma a decisão de discutir com outra pessoa, na realidade, não existe a intenção de resolver a situação ou conflito.

Muito pelo contrário.

Discutir é mais uma das diversas maneiras egoístas que nós adotamos para atingir na verdade um outro objetivo.

O namorado que discute com a namorada por alguma razão, ou um colega que discute com o outro, ou… ou seja lá qual for o exemplo, vale cair na real de que existe sempre um elemento em comum: o motivo da discussão (seja lá qual for) gerou tensão, desconforto e fez com que houvesse uma oscilação interna.

Portanto, discutir é sobre não saber administrar este desconforto e não ser capaz de estabilizar esta oscilação interna que surgiu. Discute-se porque existe um desejo de“colocar para fora”, e não realmente resolver a situação.

Desenhando uma discussão, provavelmente teríamos isto:

1- Situação acontece e gera desconforto

2- Pessoa não sabe lidar com o desconforto que surgiu

3- Pessoa se sente tensa, com energia oscilando e desconfortável

4- Busca então conforto e alívio, acalmando-se enquanto coloca para fora aquilo que a prendia

5- Por fim, situação nenhuma está resolvida (mas existe agora uma sensação de calmaria interna)

Olhando de perto, de pouco adianta discutir e olhando de mais perto ainda, raras são as situações em que uma discussão se faz realmente necessária.

Das próximas vezes que uma sensação de desconforto, oscilação da energia interna e tensão surgirem, vale uma pausa de 10 segundos para tornar consciente o processo de alteração de estado e quem sabe conseguir se perguntar: “por quê mesmo eu estava prestes a discutir?”.

E ainda, para pensar: não é incomum nós provocarmos discussões para termos a sensação de alívio/calmaria que geralmente aparece logo depois. Mesmo porque, quem precisa de constantes doses de “relaxamento”, raramente estará contente com o meio termo (energia estabilizada).

Texto escrito por alguém que já discutiu muito ;)