Carta aberta aos empresários de Indaiatuba e suas capivaras

Uma correspondência franca com o empreendedor que vê seus negócios marchando para o Limbo

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Caminhando pela Av. Presidente Kennedy vejo a placa de ALUGA sendo afixada na vitrine da loja. A mesma que, semana passada, estava aberta e com muitas promoções. É mais uma empresa das muitas que vejo fechar, todas as semanas, só de passear pela cidade. Você deve ver a mesma coisa pelos seus trajetos. E nem precisa ter bons olhos pra isso. São tantas portas (e botas) batendo que não enxergar é quase impossível.

Com o Brasil vivendo uma de suas maiores crises econômicas, políticas e morais da história, é preciso ter uma conversa séria sobre o papel de cada um de nós e o que há de real quanto à perspectiva de melhores dias que os últimos movimentos republicanos nos trazem.

Há pouco mais de três anos decidi deixar minha cidade natal, Belo Horizonte, e mudar para Indaiatuba com a família. Na bagagem, trouxe minha agência de publicidade, meus colegas de trabalho e suas famílias — todos embarcando comigo num projeto de vida melhor.

Escolhi Indaiatuba para viver por critérios técnicos. Seu grau de desenvolvimento, qualidade de vida, educação e logística — especialmente a proximidade com São Paulo, Campinas e Viracopos. Era aqui que eu viveria para prosperar, gerar empregos e pagar meus impostos. Isso enquanto continuava trabalhando para nossos clientes nas capitais e no exterior.

Em poucos meses, como era de se esperar, me apaixonei pela cidade. Sua estrutura, segurança e clima favorável ao desenvolvimento dos negócios eram nítidos. Percebi que havia, por aqui, muita gente com visão amplificada para as mais diversas atividades econômicas. Empreendedores, com bom gosto e energia de sobra.

A sombra da crise

Depois de três anos começo a ver um rastro doloroso de portas cerradas, deixado por empresários que também acreditaram nesta cidade e foram golpeados por esta crise cruel, absurda e nojenta vivida pelo País. Um apuro com muitos culpados, infinitos vilões, bandeiras mil para levantar, palavras de ordem e nenhuma saída aparente. O retrato do caos.

Indaiatuba tornou-se um mostruário melancólico da situação do nosso País. Imagino que esteja assim para todo lado, mas é aqui que eu vejo de perto. É aqui que eu me transformo em testemunha de uma tortura diária às pequenas e médias empresas. Gente como eu, que pensa no crescimento como um processo coletivo. Um movimento em que geração de empregos e bons salários não dependem de leis ou decretos de engravatados demagogos, mas de esforço, capacitação e muito suor de quem realmente faz a economia crescer.

E é aí que entra o nosso papel. Acredito que esta é mais uma daquelas histórias em que sairemos vítimas ou heróis. O que estamos sofrendo nas mãos de governantes, corruptos ou não, é um abuso da nossa vontade e determinação de fomentar o desenvolvimento da cidade, promover a prosperidade à nossa volta.

As vacas gordas morreram. E as magras também. Não tem mais vaca. O que temos na mão é, no máximo, um bando de capivaras desnutridas. Mas é com elas que temos que salvar essa cidade.

Não dá pra esperar um milagre do Governo. Ele não virá. Não dá pra esperar que o impeachment, se realmente acontecer, vá resolver qualquer coisa. Não vai. Estamos cercados de horrores por todos os lados, incluindo os saltimbancos de bolsos estufados, dançando no picadeiro público protegidos por imunidades e foros que não deveriam lhes caber.

A saída, portanto, está nas nossas mãos e no bom uso que faremos das capivaras magrelas que dispomos.

Se você caiu, levante-se. Se está de pé, resista. Procure engajar-se com outros empresários. Busque formas de criar e alimentar parcerias saudáveis. Divida custos. Lute pelo bem da cadeia de produtividade. Precisamos alimentar o ciclo do bem e não deixar o motor morrer.

Crise dói. Com toda sua aflição, porém, apresenta excelente conjuntura para a criatividade e o aprendizado. Como nunca, precisamos de saídas inteligentes para os problemas. Não basta otimismo, se é que ainda dá para ser otimista no Brasil. É hora de criar e perseverar enquanto pudermos.

Não é tão difícil como parece. Aqui na Lime, montamos uma operação de guerra para enfrentar os tempos penosos. Criamos novos produtos, promovemos networking com empresários de diversos setores e suamos muito a camisa.

Quer saber? Já começamos a ver resultados. E é por isso que resolvi escrever esta carta. Para que ela seja uma centelha de esperança, contagiando aqueles que são realmente competentes para acabar com esse drama.

Se você acredita que podemos virar esse jogo, ajude a compartilhar esta mensagem. Faça circular entre seus amigos, clientes e parceiros. Vamos ganhar esse jogo contra o demônio exterminador de vacas, seja ele quem for.

E eu gostaria de conhecer você, sua empresa, como a crise tem afetados seus negócios e, especialmente, quais estratégias você tem adotado para driblá-la. A Lime está organizando uma série de ações de networking para juntar gente boa dessa cidade e fazer a máquina funcionar do jeito que ela precisa.

Se quiser juntar-se a nós, fale mais sobre você clicando aqui.


Rodrigo Bressane é Diretor de Criação da Lime, House of Ideas em Indaiatuba, São Paulo e Nova York. Fotógrafo profissional, é sócio e fundador do Pandalux, estúdio comercial em São Paulo. Através de suas empresas, atende clientes ao redor do mundo, incluindo grandes marcas como Nike, Bradesco, Knorr, Movile, Unilever, Ben & Jerry’s, C&A, Roche, Cielo, Hunter, Renault, Kipling, Bodytech, Google, Visa, TAM e outras.