
Meu pai, o mago da engenharia — e por que fico sem banho quando o encontro
Higiene é essencial para a vida. Para a minha, pelo menos. Preciso estar limpo em todos os momentos. E cheiroso, naturalmente. Sou fresco mesmo. Confirmo a tese com meu desodorante, Rexona women. Sim, sou um homem que, no quesito asseio, é a “mulher moderna”, que não transpira e está sempre pronta para o dia.
É uma questão de honra que desaba sempre que visito o sítio da minha família, quando sou capaz de ficar por vários dias sem tomar banho. Doa a quem doer. Explico.
Um dos meus grandes medos na vida — depois de barata, cobra e o apocalipse zumbi — é levar choque. De qualquer intensidade. Foi muito dedo na tomada, quando criança. Trauma irreparável.
Acontece que a torneira do chuveiro do sítio dá choque desde sempre. Antes mesmo de instalar as fiações da casa. Só de pensar em tomar banho já rola aquela descarga marota, 110V da mais pura eletricidade de Furnas.
Mas essa não é a história. O melhor vem agora. Há alguns anos, meu pai finalmente mudou o aquecimento do chuveiro para energia solar. E aí você pensa: fim do choque! Foi o que todos pensamos. Ingênuos.
Meu pai, um ser diferenciado que é, à frente do seu tempo, criou o primeiro chuveiro aquecido por energia solar… QUE AINDA DÁ CHOQUE! Não sei qual é a maravilha da engenharia moderna utilizada por ele, mas o fato é que, no seu território, banho só com choque.
E é por isso que, de tempos em tempos, eu viro o Cascão. Doa a quem doer.