The Walking Fat

Preguiça de ler? Então vá direto pro que interessa, TheWalkingFat.com — minha jornada em busca da magreza perdida.

Image by Biodiversity Heritage Library — Used under Creative Commons license

Em 2004 eu pesava 140 kg. Com meus gloriosos 1,65m isso me colocava alguns níveis acima da obesidade mórbida. Alcancei a fase pré-cova da gordice. Não enxergava os pés ou as pernas. O pinto eu nem tinha mais certeza se ainda estava lá. A situação era gravíssima. Resolvi fazer a cirurgia bariátrica. Aquela em que o médico te abre do umbigo pra cima, grampeia seu estômago pra ele ficar do tamanho de um sachê de chá ruim e ainda sapeca um anel goela abaixo — uma espécie de Gandalf gástrico gritando “you shall not pass” pra qualquer coisa maior que meia azeitona.

Chegar nesse ponto foi moleza. Lá pelos 14 anos eu resolvi que comer era a coisa mais importante da vida e me dediquei cegamente à causa. Comi muito. De tudo. Comi com vontade. Comi com amor. Comi com paixão. Pra você entender bem o que eu estou falando, certa vez eu mandei 27 hambúrgueres do McDonald’s no curso de algumas horas. Em outra ocasião fiquei preso numa churrascaria em Guarapari. Comi tanto que não conseguia me levantar da cadeira.

A cirurgia era claramente minha única saída. E foi. Perdi 65 kg. Virei uma lambisgóia feliz. Um ser bizarro de corpo disforme e cabeçorra balangando no final do pescoço recém redescoberto. Emagreci de verdade. Recuperei a capacidade de realizar atividades simples, como amarrar os sapatos, caminhar uma quadra, dormir mais que 15 minutos sem perder o ar. Fiquei mais feliz. Gordo nunca mais, pensava comigo constantemente.

Corta pra 2016 e cá estou, esbanjando banha. Não como antes, mas no mesmo caminho. Semana passada a balança gritou 106,5 kg na minha cara. Meu maior peso desde o emagrecimento. Número mágico. A cifra da derrota. Quatro dígitos de dura realidade esfregada nos meus olhos arregalados. No mesmo dia, por sordidez ou misericórdia da vida, enquanto faxinava uns arquivos, mais um golpe na moleira. Uma foto de 2005 salta na tela do computador mostrando que, por um breve momento, eu fui um cabra saudável, quase magro e bem mais sorridente.

Foi aí que eu resolvi que era hora do basta. Olhei pro espelho e mandei meu reflexo roliço pro inferno. Não dá mais pra ser gordo. Não é bom, nem bonito, causa depressão (em mim), mata aos poucos, incomoda os outros e traz sofrimento eterno (pra mim). Chega.

Saí para caminhar, esperando perder ao menos 14 kg em 30 minutos. Não funcionou. Engordei. Ofegante, jurei continuar. E continuei. Por uma semana tenho me exercitado paquidermicamente. Todos os dias.

Mudei a alimentação. Estou comendo coisas leves, wraps, umas paradas verdes que eu não sei identificar. Descobri a crepioca, uma das poucas coisas que sou capaz de fazer sem ajuda. Tô virando shakes, sucos naturais, água (com gás) e Coca Zero (eu sei, eu sei — vamos com calma).

Pra garantir o constrangimento publiquei meu desempenho lastimável no Facebook. Ganhei um monte de “likes” e, melhor ainda, toneladas de de mensagens que chegaram pra dar força, dicas, receitas e tapas nas costas.

Acho que agora vai. Tem que dar certo. Basta de baleias. Começando por mim, essa beluga cabeçuda que precisa tomar jeito. E vou.

Pra acompanhar a minha jornada, visite TheWalkingFat.com ou me siga no Facebook, onde posto praticamente em tempo real e continuo aceitando apoio moral.