O meio de tudo

Bruno Fiorelli
Jul 23, 2017 · 1 min read

Andei pensando sobre o meio.

Sobre como é não estar de um lado, nem de outro,
mas sem estar em cima do muro.

Um meio digno, um meio necessário.

“Deus vomitará os mornos” vem à mente,
e tudo que está no meio, entre dois lados,
realmente soa rejeitável.

Como o mundo seria melhor sem intermediários,
sem a mídia, que me afasta da verdade,
sem o dinheiro, que me condena à mesquinhez,
sem a palavra, que me trai copiosamente.

Mas espero,
e me coloco no lugar do meio.

Pois quando estou preso no meu próprio lado
e não quero enxergar o outro,
o meio se torna um problema -
já que ele é um anteparo,
é a prova da existência de algo que eu nego
porque não dou conta.

Mas quando vejo pelos olhos do meio,
encontro a fronteira entre duas oportunidades,
igualmente possíveis, simultaneamente impossíveis,
a casa onde coexistem os inabitáveis.

Quando moro nesta casa,
o obsceno não me ofende,
o moralista não me indigna,
o violento não me assusta,
o ingênuo não me incita.

Com o meio,
o mundo gira em torno de um eixo:
cada ciclo me tira da mesmice do medo.

O meio é o vazio,
onde as verdadeiras escolhas estão esperando para serem feitas.

Sem o meio,
só existe o fim e o começo.

Bruno Fiorelli

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