Aí uma analista amiga minha…
Não é por acaso que me cerco dessa gente da psicologia. Esse é um tempo que requer análises. Análises profundas, constantes, cruas e empáticas. Minhas companheiras me inspiram a ser forte e a não fugir dos sentimentos, nem do que de bom e ruim lhes acompanham. E eu aprendo. Todos os dias. Mas dói.
Belchior, meu também analista, amigo dos momentos de angústia solitária e poeta regulador de meu senso de dignidade, é a voz que me sussurra: “enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não”…vá em frente!.
É um mundo estranho onde se quer basicamente as mesmas coisas: amor, cumplicidade, desejo, amizade, vida saudável. Mas, nesse (des)compasso, acho que esse montão de gente, com os mesmos anseios, que sempre ouço dizer por aí que existe, me desvia ou me decepciona, enquanto eu tomo um refrigerante fingindo que não me importo.
É cruel a juventude, ela nos faz sentir que sempre há tempo. E se vive assim adiando vontades, na superficial fuga do algo mais, sem razão, sabe se lá em qual fundamento. Estamos nus para o impalpável depois e vestidos para nossas paixões reais.
Incompreensível essa pressa de viver intensidades a conviver com o medo que nos acomete quando elas se apresentam tão perto de nós. O alcance fácil que apavora e distancia. Disso, se povoa o purgatório das paixões mal resolvidas. As reticências postas só por falta de coragem de se matar desejos. Valeria a pena somente se, com isso, eles morressem.
