ENTRE NÒS

Brisa
Brisa
Aug 23, 2017 · 2 min read

.

O mundo exige compostura

E a sincera nudez é retiro espiritual

Pr’as mulheres pagãs como yo

Descompostura sou

Debochando a castidade no divã

.

Corpos soltos, mentes férteis

Jogadas estamos a liberalidade

De ser quem se quer

Enquanto houver vontade

.

Antropofágico instante

Em que ninguém perece vazio de desejo

Decerto que isso tem seu preço

Em uma realidade ainda cheia de medo

De nossa fragilidade gigante

.

E a olhos nus é que me vejo agora assim

Labareda faiscante de mim

De mulher que arde

Por prazer que a silhueta anuncia

.

Fêmea efervescência

Poros que fervem imoralidade

A imoralidade, se soubesses…

Faz-me nua, apoiada em quatro bases

Romper com a ética é que não

Por um mínimo de civilidade honesta

A temos poupado, com esforço

.

Disso tudo que me arde

Tenho dito

Tanto cedo quanto tarde

Minha forma plena é poema

E minha alma nem queira saber

Quanto mais dentro

Mais infinito querer

.

O toque fala, ensina

Pêlos vibram em adrenalina

E o corpo se toma em ato visceral

Com firmeza abrasante, alucina

.

Vulcânica intenção

Faz enlouquecer

Com essa louca vontade de pouco dizer

Quando se sente intensamente

Os sentidos em explosão

Fagulhante pulsar

Enlaçada combustão

.

O calor é metafórico, só que explícito

“Here comes the sun”,

Vertido no espaço onírico do meu sexo

“And I say”: — me queime devagar

É só o que lhe peço

.

E cada gesto é gemer liberdade

Mas aí você não pode mais

Não pode gostar de mim direito

Porque é grave

Cultivar uma coisa tão grande

E disso depende o momento que transbordo

De uma volitiva inteireza a invadir

.

Para uma mulher, cê sabe, né

Há sempre um homem

Mas não sou eu quem vai lhe dizer

Do pique que precisa ter…

Nem das coisas que aprendi nos discos

Porque é papo para anos corridos

.

E estamos cortando essa coisa de falar

Até quem sabe um certo dia

Nós, conversando sobre um fato banal,

Pareça melhor que uma transa real

Essas que a gente tem tido por telepatia

Desse modo marginal

Não bastam nada. Monotonia.

)

Brisa

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Pó de estrela. Aqui e ali, catando os farelos de mim mesma ✉:<brisaperegrino@gmail.com> ; Salvador, Bahia.

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