
ENTRE NÒS
.
O mundo exige compostura
E a sincera nudez é retiro espiritual
Pr’as mulheres pagãs como yo
Descompostura sou
Debochando a castidade no divã
.
Corpos soltos, mentes férteis
Jogadas estamos a liberalidade
De ser quem se quer
Enquanto houver vontade
.
Antropofágico instante
Em que ninguém perece vazio de desejo
Decerto que isso tem seu preço
Em uma realidade ainda cheia de medo
De nossa fragilidade gigante
.
E a olhos nus é que me vejo agora assim
Labareda faiscante de mim
De mulher que arde
Por prazer que a silhueta anuncia
.
Fêmea efervescência
Poros que fervem imoralidade
A imoralidade, se soubesses…
Faz-me nua, apoiada em quatro bases
Romper com a ética é que não
Por um mínimo de civilidade honesta
A temos poupado, com esforço
.
Disso tudo que me arde
Tenho dito
Tanto cedo quanto tarde
Minha forma plena é poema
E minha alma nem queira saber
Quanto mais dentro
Mais infinito querer
.
O toque fala, ensina
Pêlos vibram em adrenalina
E o corpo se toma em ato visceral
Com firmeza abrasante, alucina
.
Vulcânica intenção
Faz enlouquecer
Com essa louca vontade de pouco dizer
Quando se sente intensamente
Os sentidos em explosão
Fagulhante pulsar
Enlaçada combustão
.
O calor é metafórico, só que explícito
“Here comes the sun”,
Vertido no espaço onírico do meu sexo
“And I say”: — me queime devagar
É só o que lhe peço
.
E cada gesto é gemer liberdade
Mas aí você não pode mais
Não pode gostar de mim direito
Porque é grave
Cultivar uma coisa tão grande
E disso depende o momento que transbordo
De uma volitiva inteireza a invadir
.
Para uma mulher, cê sabe, né
Há sempre um homem
Mas não sou eu quem vai lhe dizer
Do pique que precisa ter…
Nem das coisas que aprendi nos discos
Porque é papo para anos corridos
.
E estamos cortando essa coisa de falar
Até quem sabe um certo dia
Nós, conversando sobre um fato banal,
Pareça melhor que uma transa real
Essas que a gente tem tido por telepatia
Desse modo marginal
Não bastam nada. Monotonia.
