Meu amigo secreto

*inspirado na campanha ativista das redes sociais no final de 2015

#meuamigosecreto odeia feminista, acha que são todas ~mal comidas~;

- Pensa que uma mulher lésbica o é por não ter ainda encontrado um super-homem que corrija esse grande “problema”;

- Divide mulheres em dois grupos: “para pegar” X “para casar”. Tipo uma gincana em que as equipes disputam ferozmente pelo prêmio, no caso, ele;

- Preza demais por sua liberdade, mas quem quiser ser sua parceira tem que saber se comportar e ceder à censuras;

- Isso de exercer o direito de vestir o que se quer está fora de questão, pois, a depender do estilo da roupa, é o mesmo que estar pedindo por um assédio;

- Seu hobbie predileto é descer o vidro do carro e gritar alguma ousadia p’ras moças que caminham nas ruas. Afinal, de que outro modo rearfimará sua macheza viril? Precisa desse exercício diário para se convencer. Até porque, respeitar pessoas não lhe soa muito hetero;

- Às vezes, gosta de bancar o feministo, defende muito os direitos das mulheres…na teoria! Na prática, destila misoginia entre os amigos;

- Faz, repassa e ri de piadas machistas seja na mesa do bar ou nos grupos de whatsapp, onde, inclusive, é cool expor os nudes das moças. E ai de quem diga que nada disso tem graça;

- Classifica o brother como “fura olho” por ter mexido com alguma mulher que obviamente era propriedade sua, já que foi ele quem quis primeiro;

- E, por mera coincidência, pelo menos 99% das exs do meu amigo secreto são loucas. Curiosamente a partir do momento que de algum modo o rejeita;

- Ele ignora que violência psicológica também é uma forma de abuso porque ser homem, em sua opinião, implica exercer domínio sobre o outro, de todas as formas possíveis. Assim, segue à risca sua teoria filosófica falocentrista.


Mas, a boa nova, é que também tem amigo secreto disposto a se desconstruir, acolher críticas e rever várias de suas posturas.

Esse não julga como sendo um completo disparate mulher exigindo respeito e equidade na forma em que é tratada. E, antes de relativizar a causa, se permite, por um breve esforço cognitivo, considerar os dados nacionais de violência contra a mulher que gritam obviedades.

Eles ainda são minoria, mas espero poder falar do quanto se multiplicaram no amigo secreto do ano que vem. E para os que permanecem os mesmos, um aviso: não passarão.

Escrito em 25 de novembro de 2015.