Ninando a saudade

(poema dedicado à minha sobrinha Nina)

Minha Nina,
Hoje sou só ternura, afeto e amor
Acordei querendo por perto sua meiguice de flor

Olhinhos brilhantes,
Cheios de um infantil afã
Nos cega de zelo, pequena gigante
A vida é mais viva pela manhã

Mas nesta manhã que começa sombria,
Deixo-me levar por uma saudade tardia
E me imagino brincar em sua companhia
Você, inocência sem par, sabe pouco do bem que fazia

Nina, menina, me nina, boneca
Corre, se esconde, sorri faceira, moleca!

Quando é dada a hora, vou embora, mas não me despeço
De longe, procuro te achar num cotidiano, agora, deserto
 — finjo mergulharmos numa longa brincadeira de esconder — 
Sigo correndo pr’um tempo de encontrar você

Daqui, fecho meus olhos e fico um tanto dispersa,
Assim que enxergo em memória seu rostinho sapeca
E penso nele com um carinho que não posso descrever
Criança levada, tenho em ti a adulta que eu queria ser.

Escrito em 13 de abril de 2013.