Nota sobre música e gênero

Brisa
Brisa
Aug 25, 2017 · 2 min read

Prêmio Caymmi de Música — 2ª Edição

Aconteceu na sexta-feira passada. Quando a gente pára pra pensar se lembra que acontece o tempo todo.

Estive lá para prestigiar o evento porque a minha grande paixão por rádio (e por música) me leva a cair de paraquedas em espaços singulares, mas isso merece um texto à parte.

O caso é que, nas minhas rotineiras andanças, é raro o dia em que não ouço rádio. Principalmente a Rádio Educadora. Sendo assim, é impossível ser ouvinte e ignorar um cenário musical em constante ebulição, pois a Educadora é uma janela fenomenal para a música baiana contemporânea, principalmente àquela que foge da monocultura do axé music.

O outro caso é que eu, também, muito em sincronia às percepções que me são caras, tava lá empolgadona com as moças que eu tanto admiro concorrendo a uns prêmios massa. E aí, conforme iam anunciando os vencedores de cada categoria comecei a me inquietar. E a inquietude que me acomete, como fiz cutucando minha mãe, tia — e quem mais comigo estivesse — , trato logo de passar adiante:

MAS CADÊ AS MOLÍERES?

Entre 110 artistas, técnicos, instrumentistas e produtores indicados, quase nenhuma recebendo os louros da vitória. Ainda estou aguardando que o site atualize os números para me certificar, mas, em minhas contas, foram 3 ou 4 diretamente premiadas e, dessas, duas categorias às quais concorreram eram exclusivamente femininas…OU SEJA…

E quando aquilo tudo parecia se conformar a uma normalidade, eis que surge um feixe de luz.

E com isso eu já sabia que viria um soco no estômago.

Resumidamente, ela então falou da gratidão de ocupar um espaço que era seu. Espaço de mulher. E de mulher preta. Na digna representação de tantas outras, que citou uma a uma, fez um Teatro inteiro ouvir sua voz.

Eu, de cá, nada posso fazer além de lamentar a ainda tacanha visibilidade das mulheres em nossa música e endossar o coro das vozes que falam por nós.

Coisas belas movem a arte, mas, há uma altura dessas, esse obscurantismo no compromisso em garantir reconhecimento e representatividade efetivas ao nosso gênero, no mínimo, é um grande vacilo para um movimento que afirma acreditar na força transformadora da música.

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Pó de estrela. Aqui e ali, catando os farelos de mim mesma ✉:<brisaperegrino@gmail.com> ; Salvador, Bahia.

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