WHATS UP?

Em tempos de whatsapp, optar por não mais usar o aplicativo oscila entre um ato de coragem ou de loucura. Ou os dois. Conversando sobre esse assunto, notei o quanto o mero cogitar (assim mesmo, no plano das ideias) dessa possibilidade exige um esforço hercúleo e faz gaguejar o homem médio contemporâneo, a partir de uma perspectiva classe média. Realmente parece difícil acreditar que seja possível viver sem whatsapp.

A grande contradição é que a dependência desse dito cujo pode nos levar a dispor, involuntariamente, de nossa autonomia, individualidade, privacidade, dentre outros elementos essenciais que compõem nossa identidade. Eis que, de repente, temos alguns caros direitos da personalidade abduzidos por uma ferramenta que surgiu para facilitar e aproximar nossas relações.

A dificuldade de abstrair nossos valores morais nos faz escravos da necessidade de satisfazer e atender a todos. Não queremos ser o motivo da decepção alheia e todo o mundo, incluindo a nós, em alguma medida, não dá conta de driblar a ilusão de ocupar o centro máximo das atenções. Ousei duvidar da irrefutável natureza benéfica desse contato que nos aproxima e, ao mesmo tempo, afasta de nós mesmos. Sufocante e contraproducente foram as conclusões que resultaram de minha reflexão em um dado momento.

Chegar a esse nível de questionamento talvez seja sinal de que está na hora de renunciar, redefinir em direção oposta ou ao menos repensar a imprescindibilidade desse “facilitador” nas nossas vidas.

Como disse, realmente parece difícil acreditar que seja possível viver sem whatsapp. Mas quando você se depara com duas dezenas de grupos e subgrupos compreende que mais impossível é viver com ele.

Escrito em 10 de abril de 2015.