Eu nunca notei LGBTs da periferia

Fotografar os locais mais marginalizados ao redor do meu bairro me fez notar várias coisas. O que chamou mais minha atenção é a quantidade de LGBTs que encontro.

Eu moro num bairro da zona norte. Já conheci e andei por várias ruas. No entanto, nunca notei as cenas e as personagens que estavam a poucos metros dos meu olhos.

Certa vez, eu fiz um trabalho na casa de uma amiga. Fui a pé e retornei a pé. Era um trajeto de cerca de 2 km. A cada rua pela qual eu passava, notava uma identidade transgressora.

Eu vi mulher lésbica visitando a construção de sua nova casa. Eu vi travesti chegando de bicicleta na casa que foi construída pelos país para protegê-la. Eu vi adolescente gay em busca de amigos para conversar.

Envolver-me com o debate e a militância LGBT na universidade não foi o bastante para eu notar essas vidas. Eu não precisava só estar onde elas estão e caminhar onde elas caminham. Eu precisava me sentir conectado à vida delas.

Eu devo isso à fotografia porque agora eu observo com mais atenção o que está ao meu redor. Antes, eu negava qualquer empatia pelo território e comunidade aos quais eu fui destinado.

Agora eu enxergo a mulher trans que pega o mesmo ônibus que eu todos os dias. Não sei se ela sempre esteve lá, mas agora eu a vejo. E fico feliz por saber que há mais gente resistindo.

Isso vai fazer alguma diferença na vida dessas pessoas? Não. Mas agora eu sei com quem eu posso contar e quem pode precisar de alguma ajuda quando for vítima de alguma agressão em casa, na rua, no ônibus, na escola, no trabalho.