A paixão pela comida e a fome de amor

Em duas semanas embarco para a Colômbia, terra de Gabriel Garcia Marquez. Entre tantas frases marcantes do autor, nenhuma me traduz melhor do que “o amor é tão importante quanto à comida, mas não alimenta”.

Concordo com Gabo com algumas objeções: o amor saudável é sim uma força motriz para nossas realizações. Ele “alimenta” o indíviduo com uma vontade de fazer diferente, um desejo de evoluir e de zelar por si, pelo outro e pelo relacionamento efetivo.

Assim como o amor, a comida é origem das maiores alegrias e das maiores patologias: seja pelo excesso, obsessão ou falta.

Apesar do amor não ser fonte de proteínas, carboidratos ou gorduras, ele pode ser quimicamente reduzido à um fluxo de substâncias químicas (adrenalina, noradrenalina, dopamina, oxitocina, a serotonina, endorfinas…) que podem fazer com que você se sinta mais disposto e alegre.

Será que sobreviveríamos sem nenhum tipo de amor nos alimentando? Seja ele materno, fraterno, familiar, de amigos, não reduzindo ao amor romântico.

A comida e o amor estão intimamente ligados. A mãe que dá o leite, o casal que se encontra no restaurante, o drink oferecido como flerte, o bolo preparado pela vó, a pipoca compartilhada no cinema, o ato de cozinhar juntos…

A tradição da lua de mel é uma bela experiência desta fusão entre amor romântico e a comida: a expressão nasceu na Idade Média, onde os recém-casados tinham o costume de tomar hidromel (que tinha como base água, mel, malte e leveduras). O mel, tido como afrodisíaco, era o alimento para o amor. Deveria ser consumido durante uma fase da lua. Por essa razão, esse período passou a receber este nome.

A sensação que sinto ao degustar um prato que agrada o meu paladar é romântica: seja no familiar sabor da minha sobremesa preferida, seja na paixão avassaladora despertada por uma nova experiência gastronômica, ou na emoção da descoberta de um prato saboroso da culinária local em uma viagem. Vai muito além do signficado de nutrição.

Prefiro então não medir forças nem elencar prioridades, mas sim continuar sentindo paixão pela comida e fome de amor.

E que venha Cartagena das Índias, com amores e sabores!

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