SEASON 01 / EP 01 – 21 séries e um textão.

Quantas séries você começou a assistir esse ano? Três? Cinco? Dez?

Talvez tenha começado com Game of Thrones, para ter assunto na mesa do bar.
Depois disso, provavelmente você passou pela excelente representação de cenários geopolíticos de House of Cards, aprendeu a ser um empreendedor com Silicon Valley, ou a sofrer e esperar ansiosamente cada novo episódio de Demolidor, Flash ou Gotham.
Talvez você tenha — e provavelmente tem — aquela série escondida, que você acha que só você assiste (e ADORA achar que isso é verdade). Obrigado, Hank Moody.

Edit: um grande amigo me disse que eu teria uma melhor indexação citando Strange Things também. Seus viciados!

Também tem aquelas séries que assistimos com frequência. Ha anos. Mas, não temos a mínima noção de onde estamos ou onde paramos.
Ficamos apenas com a vaga recordação de já ter assistido aquele episódio, mas juramos que já vimos todos, se alguém nos perguntar (no meu caso: House, Law&Order, Simpsons, Family Guy, Futurama, Dilbert e mais umas 3 ou 4).

É só fazer uma busca rápida, na Netflix ou na HBO, e notar o enorme — e em constante crescimento — número de séries ofertadas e que estão a nossa disposição, com apenas um clique. Afinal, sempre temos aquela horinha sobrando no dia que daria pra encaixar mais uma.

Parece saudosista e extremamente longe lembrar dos tempos que o on demand não existia, ou que a maior parte da população assistia Friends, The Fresh Prince of Bel-Air e Três é demais.
How I Met Your Mother, The Big Bang Theory e Two and a Half man, para os mais novos.

Não fique chateado se eu não citei a sua série favorita. A ideia é justamente mostrar o gigantesco volume de produção de seriados. Mais do que podemos citar ou enumerar (você consegue citar 20 séries de cabeça?). Além do que, quem gosta de assistir uma série que todo mundo conhece, né?

Enquanto colocava White Collar em dia, me peguei refletindo dos impactos culturais e nos novos padrões de comportamento e de consumo que, a alta adesão e o sucesso desse nada novo universo, está nos trazendo.

Já vivemos para ver a internet desbancar jornais e revistas. Agora, fazemos parte de uma sociedade onde essas plataformas e canais superam a TV aberta. Estamos vivendo uma tecnologia que nos difere dos nossos semelhantes, nos enxergando como consumidores únicos e sugerindo recomendações exclusivas de acordo com o nosso perfil e comportamento.

O quanto isso impacta a nossa forma de viver, de nos relacionarmos, de consumir ou de dialogarmos em nossos círculos sociais?

Parece mesmo tão distante pensar que as novelas estão perdendo espaço? Que buscamos relacionamentos e torcemos tanto para que nosso par tenha o mesmo gosto ou lista parecida no Netflix? Ou até mesmo ter como pré-requisito que ele ou ela tenha uma assinatura?

Que esperemos mais por um novo episódio no domingo a noite, do que por uma happy hour na sexta-feira? Ou que gastemos mais dinheiro em lojas virtuais, que vendem camisetas e canecas com frases icônicas de seriados, do que comprando comida? Ou que estamos gastando mais em energéticos, para cumprir aquela maratona, do que pensando na troca do carro, da casa ou da geladeira.

Ou quem sabe a clássica tendência a trocar a balada ou o jantar de comemoração, por Net Now, pipoca e refrigerante?

Isso que eu nem falei dos livros! Ah, os livros. Aqueles mesmos que compramos, baseado na série inteira que vimos, mas que temos a certeza que não estamos falando dos mesmos episódios.

São pequenos tópicos, mas que ilustram a profundidade das mudanças que estamos passando. Sejam elas na forma que consumimos e gastamos nosso tempo e dinheiro, a nossa disposição, o nosso senso crítico e escala de prioridade, o quanto isso afeta o nosso convívio social ou, até mesmo, sobre o que mais nos chama atenção em um título de matéria.

Aguardem o próximo episódio, sem spoilers.