Refém — uma resposta à Fernanda Torres
Carol Patrocinio
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Moça, que texto incrível um seu. E que lástima foi encontrar aquele assinado por Fernanda Torres. Ainda há muito a dizer, a desconstruir. É uma luta diária a nossa. Mas, como boas herdeiras de Cora Coralina, não desistimos de lutar.

Eu não quero homenagem, eu quero igualdade de direitos e de gênero. Eu não quero versos bonitos porque a luta histórica nossa de cada dia pouco tem de poesia. Eu não quero discursos políticos rememorando a minha história, eu a conheço, ela está gravada em minhas células. Eu quero ações afirmativas de promoção de igualdade de gênero e de direitos. 
Eu não quero presentinhos nem frases bonitinhas enaltecendo “o belo ser mulher” pela publicidade. Porque eu não sou um enfeite no mundo para deleite alheio e meu valor enquanto ser humano não está em minha capacidade ou não de ficar horas a fio em cima de um salto alto, de usar ou não maquiagem, de organizar ou não uma agenda para ainda caber tempo para salões de beleza.
Eu não quero ser parabenizada um dia no ano por “ser especial” e continuar vendo crescer, todos os dias, os casos de violência contra mim. Eu não tolero mais o sexismo e a prerrogativa de que os “machos” têm o direito a usufruir das “fêmeas” ao seu bel prazer, usando inclusive de violência para submetê-las. 
Eu não quero elogios a minha sensibilidade, eu quero poder andar nas ruas do jeito que eu quiser sem que isso seja usado para me acusar de que eu estava pedindo para ser violentada. Eu não quero buquês de flores que murcharão até a próxima semana, eu quero ser sujeita plena de direitos, incluindo os reprodutivos. Porque o corpo é meu e as regras também são minhas. 
E eu não quero tudo isso apenas um dia por ano. Eu quero todos os dias, todos os anos.

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