Uma quase página de diário — ou uma espeleologia do sentir

Preview Outono

é lindo o seu rosto no meu colo, em silêncio 
e de gesto tranquilo, esperando o sono,
como uma cor que se curva com a brisa
até perder todas as suas forças.

a alma quase sufocando no corpo
esconde sua sombra em alguma curva do vestido,
no seu peito ou na intimidade cega de destino.

o vento espalha a realidade pelas sardas
o mesmo vento, curiosamente,
atravessa o outono dos seus quadris.

meio bonito, meio terno, meio perecível.
se eu tivesse uma vida, convidaria você para viver comigo.
porque não há amores primeiros nem únicos
simplesmente porque não se sabe o que é o amor.

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