ESTREIA FERMENTADA

Aqui estou eu de novo, estreando uma coluna sobre “cervejas”, contando sobre uma escolha que fiz, há quatro anos atrás, sobre o rumo que eu tomaria na minha vida. Bom, sou publicitária por formação e beer sommelière e mestre em estilos por destino. Dessa paixão, virou profissão e hoje se você me perguntar, já não sei o que é hora trabalhada e o que é hobby. Dizem que não devemos misturas as coisas, mas às vezes é inevitável. Não sei ser meio-termo, me envolver pela metade ou querer apenas das 09 às 18. Sou aquariana e me entrego, mesmo. Se me arrependo? Às vezes sim, na maioria das vezes, não. É como num jogo, você faz a sua aposta e espera o resultado. No meu caso, seja ele qual for, será regado a muita cerveja!

Quem nunca sonhou em trabalhar naquilo que mais ama? E se isso for cerveja? Eu era como a grande maioria, cerveja era aquela bebida estupidamente gelada, no copo carioquinha, dividida no bar em frente à faculdade, ou quando saia com as amigas pra um happy hour, sempre acompanhada daquela batatinha frita delícia. E esse conceito continua dentro de mim. O produto mudou, mais complexo, mais cheio de história, mais caro sim, não podemos negar… mas a sensação de prazer que ela me proporciona será sempre o mesmo. Aliás, não encontrei até hoje uma harmonização melhor para qualquer estilo de cerveja que uma boa companhia. Isso que torna a cerveja preferida e é isso que resulta no prazer de consumi-la.

É um mundo novo e apaixonante. Você tem vontade de beber tudo, comprar tudo, ler toda a literatura e gastar seu salário no empório mais próximo. Admito que faço isso até hoje. É um prazer que não cessa na primeira garrafa. Nesse universo, cada lote é único. É um produto que merece tempo, consumo, disposição e oportunidade.

Aí você está se perguntando, como você começou? Bom, comecei a passear pelas pilsens, bicava as de trigo, naquele copo comprido e super diferente. A cada garrafa você vai passando a entender as características daquele estilo, um pouco da história e vai aprimorando seu paladar. Aí, inevitavelmente, até mesmo por conta de uma demanda intensa do mercado hoje, você se depara com as indias pale ales e suas variações, sobrecarregadas de lúpulo e que tem como consumidores, verdadeiros apaixonados por essa planta, é tipo: ame ou odeie!

Desde pequenos somos habituados a considerar o “amargo” como algo ruim, remédio, chá de boldo, chicória e etc. No meio cervejeiro, o amargo é uma paixão (e não regra) e você vai passar por ela também. Cheguei nas sour ales, aquelas azedinhas que precisam de um pouco mais de dedicação para aprecia-las, as stouts e porters (hoje, as minhas preferidas), que lembram chocolate, café.

Enfim… horas de copo, literalmente, até que você entenda o que é realmente o seu perfil. É gosto, e ele não se discute.

Com o tempo você vai querer fazer, aprender sobre e aprimorar. Recomendo alimentar sua curiosidade, não será nenhum sacrifício! Há diversos cursos de qualificação no mercado e que valem o investimento, pesquise, procure, ouça quem já fez, veja a metodologia, o conteúdo, as oportunidades de mercado da sua cidade/estado… Enfim, garimpe!

Quanto a mim? Sigo estudando sobre o tema, ouvindo quem entende, aprendendo e mais que isso, querendo. De copo sempre cheio. É um exercício diário se eu quiser me manter nesse mercado e dar o valor que ele merece, de fato. Não é mais o beber pelo beber, é o beber pelo prazer. Parece a mesma coisa, mas não são. E quando menos esperar, você viverá naturalmente a diferença!

Hum, deu sede! Bora pro bar?

Agora, conta pra mim: qual cerveja você tomou e gostou?

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